
Moscovo 15 abr 2022 (Lusa) — O vice-primeiro-ministro russo Alexander Novak alertou hoje que a Europa terá dificuldade em substituir o gás e o petróleo russos em cinco a dez anos e que as sanções estão a exercer uma pressão sem precedentes na economia mundial.
“A situação está a evoluir de acordo com o princÃpio de um ‘boomerang’: as consequências negativas afetaram precisamente os paÃses que promoveram as restrições sancionatórias”, escreveu Novak, responsável pelo setor da energia, num artigo numa revista do setor, citado pela agência Efe.
O vice-primeiro ministro assinalou que a elevada volatilidade e o aumento dos preços nos recursos energéticos foram a “resposta imediata” à incerteza causada pelas sanções impostas a Moscovo.
“Como resultado, os preços dos principais recursos energéticos atingiram máximos recorde em março numa questão de horas”, acrescentou.
Segundo Novak, a União Europeia (UE) pretende prescindir de gás e gasóleo russos a curto prazo sem ter assegurado abastecimentos alternativos.
“Os principais intervenientes no setor concordam que será difÃcil substituir totalmente o petróleo e o gás russos dentro de cinco a dez anos”, apontou.
“Devido à turbulência criada no mercado dos recursos energéticos pelos próprios europeus, os polÃticos da UE precisam agora de procurar urgentemente fontes de energia alternativas à s da Rússia”, disse ainda, assegurando que não há atualmente uma alternativa racional aos fornecimentos russos.
Para Novak, é “impossÃvel falar de uma segurança energética” na Europa sem os recursos russos, dada a quota de mercado.
A UE adotou cinco pacotes de sanções contra a Rússia desde 22 de fevereiro.
A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que já matou quase dois mil civis, segundo dados da ONU, que alerta para a probabilidade de o número real ser muito maior.
A guerra causou a fuga de mais de 11 milhões de pessoas, mais de 5 milhões das quais para os paÃses vizinhos.
A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e polÃticas a Moscovo.
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