
Ponta Delgada, Açores, 07 abr 2022 (Lusa) — A ilha de São Jorge, nos Açores, registou 27.854 abalos desde o inÃcio da crise sismovulcânica no complexo fissural de Manadas e o setor da Ponta dos Rosais voltou a ter abalos, disse hoje o presidente do CIVISA.
Rui Marques, presidente do Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores (CIVISA), falava aos jornalistas no ‘briefing’ diário, explicando terem sido registados, na Ponta dos Rosais, oito sismo na quarta-feira e um hoje.
Desde o inÃcio da crise sÃsmica na ilha de São Jorge que se registaram “17 sismos neste setor”, ao passo que, na zona fissural de Manadas, no setor compreendido entre Velas e Fajã do Ouvidor, se registaram 27.854, acrescentou.
Na Ponta dos Rosais, a série de eventos existente é “muito pequena”, pelo que não se conseguem ainda tirar conclusões sobre os abalos, nem sobre a ligação entre estes e os da zona de Manadas, indicou o responsável do CIVISA.
A profundidade dos sismos tem-se mantido “constante, entre os 7,5 e os 12 quilómetros de profundidade”.
Quanto aos sismos dos Rosais, “têm, quase todos, profundidades mais superficiais, inferiores a cinco quilómetros”, referiu.
Desde que, na quarta-feira, se registaram, pela primeira vez, dois abalos vulcanotectónicos, sugestivos de “movimentação de fluidos em profundidade”, não voltaram a registar-se este tipo de “sismos hÃbridos”, acrescentou.
No ‘briefing’, o diretor de serviços em representação do Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores (SRPCBA), LuÃs Moniz, recomendou à população “manter a calma, sem descurar a vigilância”.
Sobre a possibilidade de as pessoas retomarem as suas vidas normais, o responsável notou que “não existem restrições impostas à s populações”.
Os mais recentes dados oficiais indicam que cerca de 2.500 pessoas saÃram do concelho das Velas, centro da crise sÃsmica, das quais 1.500 foram para outras ilhas dos Açores, e as restantes para o concelho vizinho da Calheta, considerado mais seguro pelos especialistas.
“Em questões de Proteção Civil, a população tem de ser responsável, adotar medidas de autoproteção, manter a vigilância e fazer a vida normal, dentro da anormalidade que a situação impõe”, afirmou LuÃs Moniz.
Rui Costa, comandante do destacamento avançado do COA – Comando Operacional dos Açores, explicou que, estando concluÃdo o trabalho de reconhecimento de portos e portinhos da ilha, os dados vão ser analisados “para um possÃvel plano de evacuação”, em caso de necessidade.
O responsável explicou que estão a ser preparados “diferentes cenários”, que não vão ser divulgados e que serão alvo de decisão quando, e se, algum abalo mais forte ou uma erupção vulcânica ditar a retirada da população.
“Foi feito o levantamento de todas as possibilidades”, frisou.
Desde o inÃcio da crise sÃsmica, em 19 de março, o sismo de maior magnitude (3,8 na escala de Richter) ocorreu no dia 29 de março, à s 21:56.
A ilha mantém o nÃvel de alerta vulcânico V4 (ameaça de erupção) de um total de sete, em que V0 significa “estado de repouso” e V6 “erupção em curso”.
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