
Lisboa, 06 abr 2022 (Lusa) — As crianças e jovens que chegam à s escolas portuguesas depois de terem fugido da guerra na Ucrânia, podem continuar a ter aulas ‘online’ em ucraniano, mas aprender português é obrigatório.
Desde o inÃcio da invasão da Ucrânia pela Rússia, as escolas portuguesas já receberam 2.115 alunos, de entre os milhões que fugiram do paÃs no último mês.
O plano seria a integração progressiva no currÃculo português, a começar com as aulas de Português LÃngua Não Materna, mas as orientações mais recentes que a Direção-Geral da Educação (DGE) enviou à s escolas preveem uma outra opção: que os alunos possam também continuar a frequentar o sistema ucraniano.
Para alguns alunos, a escola de origem, agora a milhares de quilómetros de distância, conseguiu manter o ensino ‘online’ e passou a estar à distância de um clique, mas a nova sala de aula é na escola portuguesa, que assegura os meios necessários.
No entanto, há também alunos que querem continuar a aprender em ucraniano, mas não têm a opção das aulas ‘online’ da escola antiga. Nesses casos, podem recorrer ao ensino remoto de emergência na Ucrânia, através da plataforma Escola Online Nacional, com aulas em todas as disciplinas e todos os nÃveis de ensino.
Em qualquer dos casos a disciplina Português LÃngua Não Materna é sempre obrigatória, por isso a DGE sugere que os estabelecimentos de ensino definam o perÃodo de permanência na escola em articulação com o horário das aulas ‘online’ e tendo em conta a idade, o nÃvel de ensino, as aulas de português e outras medidas de integração.
“O ensino à distância também é recomendado para crianças com necessidades educativas especÃficas e, nestes casos, os professores e pais/encarregados de educação podem implementar um currÃculo personalizado usando diferentes canais de comunicação”, refere o documento enviado à s escolas.
As crianças mais novas, do pré-escolar, também podem manter as aulas em ucraniano, através de programa “NUMO” do Ministério da Educação e Ciência ucraniano, com recursos ‘online’ para o jardim-de-infância.
Os novos “guiões de trabalho”, como os classificou hoje o ministro da Educação, João Costa, atualizam também as recomendações para a integração dos alunos ucranianos que optem pelo currÃculo português.
Com um enfoque particular no bem-estar fÃsico e emocional e no desenvolvimento da empatia, a DGE recomenda, por exemplo, que sejam aproveitados os alunos ucranianos que já estão há mais tempo nas escolas para assumirem o papel de mentores para “orientar os recém-chegados, numa perspetiva de integração, de aprendizagem e de orientação por pares”.
É também sugerido que as escolas promovam “integrações significativas”, com o objetivo de desenvolver o sentimento de pertença dos novos alunos e, em simultâneo, o domÃnio progressivo da lÃngua portuguesa, que estabeleçam ligações entre as culturas portuguesa e ucraniana e promovam a partilha de experiências, a ligação à comunidade, a atividade fÃsica através do Desporto Escolar e a participação em atividades de enriquecimento curricular.
O documento lista ainda um conjunto de escolas e associações ucranianas em Portugal, com as quais os estabelecimentos de ensino podem estabelecer parcerias, que permitam diversificar as experiências que facilitem a integração e manter a ligação à lÃngua e cultura ucranianas.
A DGE enviou também para o pré-escolar um novo guia para o acolhimento das crianças, com sugestões para facilitar a aprendizagem do português e a integração numa nova escola, com atividades que promovam a proximidade com os novos colegas e os educadores.
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