
Lisboa, 06 abr 2022 (Lusa) — O músico David Fonseca estreia na quinta-feira o primeiro episódio de um álbum visual, “Living Room Bohemian Apocalypse”, sobre os caminhos que levam à escrita de canções e que será editado a 10 de junho, contou à agência Lusa.
“Living Room Bohemian Apocalypse” é o novo álbum discográfico de David Fonseca, mas num formato em que conjuga, de raiz, música e imagem, construindo um objeto artÃstico que descreve como um álbum visual em sete episódios, a revelar ao longo nas próximas semanas, culminando na edição em junho.
“Todas as canções que eu faço são sempre pensadas com a parte visual, mas até agora nunca as fiz assim. Quando faço canções, elas já estão dentro de um certo espetro visual, mas por norma não tenho oportunidade para as mostrar à s pessoas, porque não tenho tempo e dinheiro”, explicou.
A oportunidade surgiu ao longo do último ano, quando David Fonseca se viu forçado, tal como grande parte da classe artÃstica, a parar por causa das medidas de confinamento para conter a pandemia da covid-19.
O primeiro episódio-canção deste álbum, “Chasing the light”, revela David Fonseca numa sala de estar, a fazer ‘zapping’ no sofá, acabando por se embrenhar no que surge no ecrã.
O músico explica que é “uma metáfora muito direta à ideia da pandemia e ao confinamento”, que depois se vai multiplicando por imagens e ideias aparentemente desconexas, mas que representam os processos criativos do autor.
“Eu tenho uma procura pela criação, constante, aflitiva, e quis misturar tudo isso, quando uma pessoa escreve uma canção tudo isso está presente, tudo isso lá está. […] É a ideia do que fica por detrás da feitura de uma canção, o que é que me leva à canção. […] Queria mostrar como é esse meu mundo surrealista das ideias e como se transformam numa coisa abstrata”, descreveu.
David Fonseca explica que este álbum visual, no qual participam direta e indiretamente mais de 50 pessoas, também só foi possÃvel com financiamento do programa Garantir Cultura, criado pelo Governo para apoiar o setor cultural em contexto pandémico.
“Seria totalmente impossÃvel fazer este projeto sem ter tido o apoio do Garantir Cultura. Este projeto já estava escrito e tÃnhamos uma outra forma, mais singela, de o montar. Quando conseguimos o apoio, deu-me a oportunidade de fazer o que tinha em mente. O primeiro projeto não contemplava nem 10% das pessoas que contemplou”, disse.
Musicalmente, foi David Fonseca quem fez praticamente tudo no seu próprio estúdio, e na vertente visual tem o nome inscrito em quase todas as etapas de produção, escrita de argumento, realização, direção de fotografia e montagem.
O álbum é também o primeiro de David Fonseca em edição independente, já sem a Universal Music, da qual foi artista durante duas décadas.
“A decisão foi minha, porque queria experimentar outras coisas. Não estou insatisfeito, mas queria mudar e fazer uma coisa, pelo menos uma vez, diferente e perceber outros aspetos da indústria, que se calhar não percebo quando estou com uma editora tão grande como a Universal”, justificou.
David Fonseca enquadra a sua decisão numa postura “recorrente em todos os artistas que têm carreiras mais longas”, de querer experimentar outros caminhos: “O mercado [discográfico] é um sÃtio complexo para todos. Andamos todos a apalpar terreno e eu achei que era um passo de aprendizagem para mim”.
O último álbum de originais de David Fonseca data de 2018, quando lançou “Rádio Gemini”, com selo da Universal Music, e em 2020, já em plena pandemia, editou a música “You feel like home” e o álbum “Lost and Found — B Sides and Rarities”, arrumando as gavetas artÃsticas antes de entrar em “Living Room Bohemian Apocalypse”.
Nascido em Leiria em 1973, David Fonseca deu-se a conhecer na música através dos Silence 4, que se estrearam em 1998 com o álbum “Silence becomes it”.
Em 2023 completará vinte anos desde que lançou o primeiro álbum a solo, “Sing me something new”, seguindo-se outros seis discos de originais, um álbum ao vivo, um tributo a David Bowie e várias edições de canções de Natal.
David Fonseca integrou o coletivo Humanos, tem composto para outros artistas, como Sérgio Godinho e Marco Rodrigues, e em 2012 deu expressão a outra das facetas artÃsticas, ao editar o livro de fotografia “Right here, right now”.
Em junho, juntamente com a edição de “Living Room Bohemian Apocalipse”, David Fonseca iniciará uma digressão de verão pelo paÃs.
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