
BrasÃlia, 31 mar 2022 (Lusa) – O antigo juiz e ex-ministro da justiça Sergio Moro anunciou hoje que não será candidato à presidência brasileira nas eleições de outubro.
“Para ingressar no novo partido, abro mão, nesse momento, da pré-candidatura presidencial e serei um soldado da democracia para recuperar o sonho de um Brasil melhor”, disse o ex-ministro da Justiça do Governo de Jair Bolsonaro, numa mensagem através do Twitter.
Sérgio Moro acrescentou ainda que “o Brasil precisa de uma alternativa que livre o paÃs dos extremos, da instabilidade e da radicalização”.
A sua demissão da candidatura presidencial surge no mesmo dia em que anunciou oficialmente a sua mudança de partido, da direita Podemos, com a qual se lançou na polÃtica e concorreu como possÃvel candidato a Chefe de Estado, para a União Brasil (centro-direita).
A sua mudança de partido, disse, visa “facilitar as negociações das forças polÃticas de centro democrático em busca de uma candidatura presidencial única”.
Moro aparece em terceiro lugar nas sondagens de intenções de voto, com 8%, atrás de Lula da Silva, que lidera as sondagens com mais de 40% do apoio, e do Presidente do paÃs, Jair Bolsonaro, que obteria até um máximo de 30%.
O magistrado parecia ser o mais bem posicionado, de acordo com as sondagens, para liderar a candidatura de “terceira via” que as forças polÃticas do centro estão a tentar formar, a fim de quebrar a polarização entre Lula e Bolsonaro, que procurará a reeleição.
Contudo, o seu progresso nas sondagens estagnou nos últimos meses, permanecendo em 8%, a que se devem acrescentar as dificuldades em criar alianças devido à sua falta de experiência na polÃtica.
Moro tornou-se um sÃmbolo da luta contra a corrupção no Brasil devido aos julgamentos como juiz em Curitiba (sul), nos quais condenou dezenas de polÃticos e empresários por corrupção, como parte da Operação Lava Jato.
Entre eles Lula, que passou 580 dias na prisão por duas condenações que mais tarde foram anuladas pelo Supremo Tribunal, que mais tarde, num outro processo, declarou que Moro agiu de forma “parcial” ao julgar o antigo presidente.
Em 2019 tornou-se Ministro da Justiça de Bolsonaro, mas demitiu-se em abril de 2020 devido a fortes discordâncias com o governante, a quem acusou de tentar interferir ilegalmente e politicamente na PolÃcia Federal, embora a corporação tenha dito não ter encontrado tais provas.
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