
Velas, Açores, 25 mar 2022 (Lusa) — Cerca de 1.250 pessoas já abandonaram São Jorge, nos Açores, por via marÃtima e aérea, desde o inÃcio da crise sismovulcância, que está a acontecer na ilha desde sábado, revelou hoje o presidente do Governo Regional.
“Neste instante, a informação que posso prestar quanto ao realizado e não quanto à s reservas em curso, [é que] a Atlânticoline [empresa de transporte marÃtimo], relativamente aos dias de 23 e 24, transportou 653 pessoas, creio que 39 viaturas. A SATA aponta para, nos dias 20 até 24, cerca de 600 pessoas”, adiantou José Manuel Bolieiro, que está desde quinta-feira em São Jorge.
Os “valores redondos” quanto à saÃda de população de São Jorge foram revelados pelo presidente do Governo Regional numa conferência de imprensa, após uma reunião com o presidente da Câmara Municipal de Velas, LuÃs Silveira, e com o presidente do Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores (CIVISA), Rui Marques.
José Manuel Bolieiro acrescentou que o mau tempo registado na ilha não cancelou nenhuma ligação aérea e marÃtima e não existem “previsões de cancelamento”.
“No entanto, nós açorianos estamos muito familiarizados com as nossas condições atmosféricas e com a nossa condição arquipelágica e ultraperiférica. Não podemos deixar de parte a possibilidade de, repentinamente, essas condições se alterarem. No entanto, o esforço é de manter o programado”, afirmou.
Segundo os dados provisórios dos Censos 2021, a ilha de São Jorge tem 8.373 habitantes, dos quais 4.936 no concelho das Velas e 3.437 no concelho da Calheta.
O presidente do executivo açoriano (PSD/CDS-PP/PPM) anunciou ainda que vai haver uma “suspensão temporária” da atividade curricular na Escola das Velas.
“Haverá uma suspensão temporária de atividade curricular, de modo que, para os alunos que queiram frequentar a escola, está assegurado o funcionamento da escola. Os que optarem, neste perÃodo, por não frequentar a escola não têm um prejuÃzo curricular porque não ficam em situação de falta”, afirmou.
Referindo que as polÃticas adotadas têm procurado promover a “normalidade de funcionamento” da vila, Bolieiro reconheceu que é “muito difÃcil” encontrar o “ponto de equilÃbrio” entre assegurar “vigilância”, mas sem gerar “alarme”.
“Bem sei que o ponto de equilÃbrio é muito difÃcil. Por um lado, estamos responsavelmente, enquanto autoridades públicas e polÃticas, a fazer o alerta para a vigilância das pessoas e, por outro lado, também não queremos, porque não há razão para isso, gerar alarme social quanto à matéria”, afirmou.
Na quarta-feira, o CIVISA elevou o nÃvel de alerta vulcânico na ilha de São Jorge para V4 (de um total de cinco), o que significa “possibilidade real de erupção”.
Segundo disse aos jornalistas, na quinta-feira, o presidente do CIVISA, Rui Marques, o nÃvel de alerta vulcânico de V4 é o mais alto possÃvel para a atual situação, porque o nÃvel V5 só pode ser acionado em caso de erupção.
Já hoje, o CIVISA revelou que, nas últimas horas, foram sentidos cinco sismos pela população da ilha de São Jorge, acrescentando que a atividade sÃsmica continua “acima do normal”.
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