
Lisboa, 24 mar 2022 (Lusa) – Mais de 40 por cento dos adultos em Lisboa estão expostos a ruÃdo de trânsito superior ao limite definido pela Organização Mundial de Saúde (OMS), segundo um estudo hoje divulgado.
A investigação, publicada no boletim cientÃfico Environment International, centrou-se em 749 cidades europeias e concluiu que quase 60 milhões de pessoas são sujeitas a “nÃveis pouco saudáveis de ruÃdo” gerado por veÃculos.
Estima-se que se fossem cumpridos os nÃveis de ruÃdo recomendados pela OMS, poderiam ser evitadas milhares de mortes anualmente, nomeadamente 3.600 provocadas pela doença cardÃaca isquémica.
Os resultados, que se baseiam em dados de estudos anteriores sobre mortalidade e ruÃdo referentes à s cidades analisadas, indicam que “mais de 48% dos 123 milhões de adultos (com 20 anos ou mais) incluÃdos no estudo foram expostos a nÃveis de ruÃdo que excedem o limite recomendado pela OMS”.
A OMS recomenda que o nÃvel médio de ruÃdo durante um perÃodo de 24 horas não deve exceder os 53 decibéis.
No caso de Lisboa, a percentagem da população exposta a ruÃdo superior ao limite está em 40,6%. Olhando para outras capitais europeias, é em Berlim que esta percentagem é mais baixa, registando-se 29,8%.
Viena é a cidade com mais população exposta a ruÃdo excessivo, com uma percentagem de 86,5%.
Em estudos anteriores, ligou-se o ruÃdo ambiental a vários efeitos negativos na saúde, desde perturbações de sono a problemas no parto, além de doenças cardÃacas.
“A exposição prolongada a barulho de tráfego pode provocar uma reação continuada de ‘stress’ que faz aumentar o ritmo cardÃaco, pressão sanguÃnea e constrição dos vasos sanguÃneos, acabando por levar a doenças crónicas, tais como cardiovasculares, depressão e ansiedade”, refere o estudo, realizado pelo Instituto de Barcelona para a Saúde Global.
Mesmo sem ter em conta as doenças, estima-se no estudo que mais de 11 milhões de pessoas tenham perturbações em atividades diárias, como comunicar, ler, trabalhar e dormir.
O principal autor do estudo, Sasha Khomenko, afirmou que os dados disponÃveis só permitem analisar a população exposta a um nÃvel de ruÃdo superior a 55 decibéis, mas os cientistas “suspeitam que os efeitos adversos podem ocorrer mesmo com exposição a nÃveis mais baixos”.
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