
Lisboa, 23 mar 2022 (Lusa) — O secretário-geral da ONU, António Guterres, lamentou hoje profundamente o anúncio do Governo afegão de suspensão das aulas para raparigas a partir do sexto ano, até nova ordem.
Guterres manifestou “profundo desapontamento” com a decisão do Governo afegão e considerou que provoca “danos profundos” ao Afeganistão.
“A recusa da educação não só viola a igualdade de direitos das mulheres e crianças no acesso à educação, também compromete o futuro do paÃs”, afirmou o secretário-geral das Nações Unidas numa declaração hoje divulgada.
“Insto as autoridades talibãs a abrirem as escolas para todos os alunos, sem mais demoras”, acrescentou.
A ONU havia já expressado hoje “deceção e profunda frustração” por as autoridades afegãs terem proibido as meninas de voltar à s escolas do ensino secundário, apesar de os talibãs se terem comprometido a deixar as raparigas estudarem.
“Partilho a profunda frustração e deceção das meninas e estudantes do ensino secundário afegão que, após seis meses de espera, foram impedidas de voltar à escola hoje”, disse a alta-comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, em comunicado.
Também a UNICEF se manifestou, exigindo que as raparigas do Afeganistão regressem à s escolas, “sem mais atrasos”.
Numa declaração datada de Nova Iorque, sede das Nações Unidas, a diretora executiva da agência da ONU para a infância, Catherine Russell, sublinhou que milhões de raparigas do ensino secundário acordaram hoje com esperança de voltarem à s aulas, mas que não tardou muito até verem as esperanças “destruÃdas”.
“A decisão das autoridades de atrasar o regresso à escola das raparigas do 7º ao 12º ano é um grande revés para as raparigas e para o seu futuro”, lê-se na declaração.
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