Moçambique precisa de política alimentar – estudo

 Maputo, 18 mar 2022 (Lusa) – Moçambique precisa de uma política alimentar capaz de promover a satisfação do direito humano à alimentação, através da dinamização da produção e produtividade agrícola, refere o estudo “Sistemas alimentares em Moçambique: Rumo a uma política alimentar nacional”.

O estudo foi realizado por uma coligação de organizações não-governamentais moçambicanas e apresentado hoje em Maputo.

“De uma forma geral, com base nas entrevistas e nos diálogos nacionais, concluiu-se que existe a necessidade de elaboração de uma política alimentar nacional que seja sustentável e centrada nas pessoas”, refere a análise.

O documento avança que o país deve lutar por “uma soberania alimentar e o respeito pelos direitos dos produtores e consumidores de alimentos e o direito humano à alimentação adequada”.

O aludido instrumento deve privilegiar o acesso à alimentação para as camadas mais vulneráveis da população, lê-se no texto.

A política terá que centrar a sua ação na produção de alimentos nutritivos e saudáveis, através da criação de sistemas alimentares sustentáveis, diz ainda o estudo.

“Os elevados níveis de pobreza, insegurança alimentar e nutricional e desnutrição crónica refletem as deficiências dos sistemas alimentares que estão associadas”, sublinha a análise.

Essas disfuncionalidades, prossegue o documento, devem-se aos baixos rendimentos, secundarização da agricultura e da produção de alimentos nutritivos.

Por outro lado, faltam insumos agrícolas e aquícolas de qualidade, persiste uma fraca cobertura da rede de extensão, elevadas perdas antes e pós-colheita e pós-captura de pescado, bem como infraestruturas insuficientes e inadequadas de apoio à atividade agropecuária, pesqueira e aquacultura.

A elaboração da política alimentar deve envolver comissões parlamentares, setor privado, sociedade civil, movimentos sociais e grupos de interesse, como pescadores, agricultores, pequenos importadores de bens alimentares e comerciantes, transportadores.

Também devem ser incluídos consumidores, órgãos locais das comunidades, cooperativas, associações, organizações não-governamentais internacionais, parceiros de cooperação, academia, instituições de pesquisa e órgão internacionais.

“A representatividade e participação destes atores é crucial no desenho de uma política desta natureza, uma vez que visa englobar os beneficiários e os atores dos sistemas alimentares”, destacam os autores do estudo.

A análise refere também a necessidade de criação de sinergias entre os diferentes departamentos e setores governamentais, visando a elaboração de uma política alimentar mais consentânea com a realidade do país.

 

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