
Lisboa, 17 mar 2022 (Lusa) — Cerca de 400 motoristas de transporte pesado de mercadorias vão reunir-se hoje em Porto de Mós (Leiria), depois de ter sido cancelada a marcha lenta marcada para Lisboa, para protestar contra a subida dos preços dos combustÃveis.
“Vão sair daqui [Carregado] por volta das 21:00, vão sair escoltados pelas autoridades. Tudo controlado e negociado”, disse o porta-voz da plataforma “Sobrevivência do Setor”, Paulo Paiva, à RTP.
Paulo Paiva adiantou que a marcha lenta que iria ocorrer à s 17:00 ficou sem efeito, porque os motoristas tiveram acesso “à s medidas que o Governo vai adotar para poder mitigar os custos”.
“Entretanto, [os motoristas] viram que pelo menos uma das medidas que era imperativa que era a questão do IVA […] e a redução das portagens da classe 4 para a classe 2 não foram atendidas e a plataforma resolveu manter o protesto, saindo ao encontro de outros empresários do setor na zona centro nomeadamente em Porto de Mós”, afirmou.
Cerca de 50 motoristas de transporte pesado de mercadorias estavam preparados para sair às 17:00 do Carregado rumo a Lisboa em marcha lenta.
Segundo disse à Lusa o porta-voz da plataforma “Sobrevivência do Setor”, Paulo Paiva, esta é a segunda marcha dos camionistas que ocorrerá “dentro dos limites legais de velocidade”, depois de uma outra semelhante realizada na terça-feira.
Os camiões deviam ter saÃdo à s 17:00 do Parque Tir do Carregado, municÃpio de Alenquer, rumo a Lisboa.
A plataforma foi criada através do Whatsapp esta semana por empresários do setor que organizaram um protesto na segunda-feira, no qual cerca de 40 empresários e motoristas do setor participaram.
Já na terça-feira foi realizada uma marcha com partida do Carregado, mas os camiões não chegaram a entrar na segunda circular, em Lisboa, tendo sido barrados pela polÃcia, contou Paulo Paiva.
“Estamos aqui hoje a reivindicar as nossas causas, que, no fundo, partem da escalada do preço dos combustÃveis, que nos torna impossÃvel podermos trabalhar”, disse à Lusa na segunda-feira o empresário Mário Nobre, que participou no protesto.
O empresário garantiu que este protesto não tem um fim definido e que apenas terminará quando houver “condições para trabalhar”.
Mais de 200 empresários do setor do transporte de mercadorias acordaram no domingo a paralisação de 20% das suas frotas em protesto contra a subida dos preços dos combustÃveis.
O encontro de domingo aconteceu um dia depois de uma reunião da Associação Nacional dos Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (Antram), que admitiu que a solução para a sobrevivência das empresas de transporte de mercadorias, face à escalada do preço dos combustÃveis, passa por um aumento das tarifas.
Os transportadores rodoviários de mercadorias não foram abrangidos pelas medidas anunciadas pelo Governo para mitigar o impacto da subida dos preços dos combustÃveis e que incluem, designadamente, a subida do desconto no Autovoucher de cinco para 20 euros e o prolongamento por mais três meses do apoio dado a táxis e autocarros (pagando agora 30 cêntimos por litro de combustÃvel, em vez dos atuais 10).
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