
Maputo, 16 mar 2021 (Lusa) — Uma linha verde criada pelas Nações Unidas, em coordenação com as autoridades moçambicanas, está a apoiar populações afetadas por conflitos ou desastres naturais em Moçambique, num espaço que também serve para denúncias de deslocados em centros de acolhimento.
“Recebemos chamadas de membros das comunidades que são beneficiários de programas humanitários em todo paÃs”, explicou Elda Pereira, gestora da Linha Verde (1458), em entrevista à Lusa.
Em média, segundo Elda Pereira, pelo menos 300 pessoas ligam para a linha verde por dia, um serviço operado maioritariamente por jovens e que recorre a, pelo menos, nove lÃnguas das cerca de 20 faladas em Moçambique.
A informação sobre programas de apoio humanitário e a previsão do tempo estão entre as principais questões apresentadas pelas comunidades, mas os casos mais difÃceis para quem opera a linha são as denúncias de abusos sexuais e violência doméstica.
“Os casos mais difÃceis são aqueles em que pessoas ligam porque foram violentadas por desconhecidos e, por vezes, chegam até a chorar”, conta à Lusa Pedro António Tomás, um dos jovens que opera a linha.
A recomendação para este tipo de situações é sempre a mesma: transmitir empatia e encaminhar a denúncia à s autoridades competentes, mas não é fácil manter a “serenidade” necessária.
“É muito emocionante, mas sempre tento fazer o melhor. Os casos de abuso de poder, como corrupção ou fraude, e casos de exploração sexual são os mais difÃceis”, declara Latifa AmÃlio, outra jovem operadora da linha.  Â
A maior parte das ligações são oriundas de Cabo Delgado, provÃncia do Norte que desde 2017 enfrenta uma insurgência armada que já provocou a fuga de milhares de pessoas, mas nesta época do ano a região centro também recorre muito ao serviço, tendo em conta que Moçambique atravessa a época chuvosa, que ciclicamente mata e provoca deslocados.
Em Cabo Delgado, as autoridades indicam que há mais de 800 mil pessoas deslocadas devido a insurgência armada, um conflito que já provocou a morte de pelo menos 3.100 pessoas, segundo o projeto de registo de conflitos ACLED.
No centro de Moçambique, a tempestade Gombe, que chegou à costa moçambicana na madrugada de sexta-feira na categoria de ciclone intenso, provocou mais 24.000 deslocados.
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