
Matosinhos, Porto, 16 mar 2022 (Lusa) – O presidente das conservas Ramirez, empresa sediada em Matosinhos, manifestou-se hoje preocupado com os aumentos dos preços do óleo de girassol e do alumÃnio, matérias-primas importadas da Ucrânia e Rússia, e também com os custos energéticos.
“No caso do óleo de girassol, há um impacto enorme porque o principal produtor é a Rússia e a Ucrânia. Houve um aumento, se calhar, para o dobro dos preços, situação que para nós é muito complicada”, começou por dizer aos jornalistas Manuel Ramirez, presidente da conserveira de Matosinhos, no distrito do Porto.
No âmbito de uma visita do ministro do Mar, Ricardo Serrão Santos, à s instalações da empresa, o responsável ressalvou que, para já, estão em vigor “contratos antigos que estão a ser cumpridos”, interrogando-se “até quando” isso poderá acontecer.
“Por outro lado, encontrámos no azeite uma alternativa, mas o azeite está muito especulado, portanto também é difÃcil ter uma solução, digamos, equilibrada”, referiu o empresário.
Quanto aos preços da energia, afirmou que é algo que não consegue “controlar”, estimando, no momento atual, um “impacto de mais de um milhão e meio de euros para uma empresa que fatura 30 a 35 milhões de euros”.
Outro aspeto relevante é o alumÃnio, matéria-prima utilizada para fazer as latas de conserva, do qual tanto a Ucrânia como a Rússia são produtores.
“As latas, neste momento, já subiram. Já subiram com o covid, mas também sabemos que a produção e os grandes produtores de matéria-prima, alumÃnio, estão nessas zonas”, vincou.
As latas já produzidas estão já litografadas com a referência aos óleos utilizados, mas o objetivo da empresa face à s circunstâncias é uniformizar a identificação, para evitar desperdÃcio e o consequente desperdÃcio.
“Nós estamos a tentar que pelo menos, para futuro breve, as novas tiragens de litografia pudessem ser consideradas em óleo vegetal apenas, e não ter de ser discriminado a matéria-prima: girassol, soja ou outro”, detalhou Manuel Ramirez, considerando que deitar fora “três milhões, quatro milhões de caixas para a frente seria uma desgraça”.
Como alternativas à escassez das várias matérias-primas, a conserveira matosinhense disse estar, “como sempre”, a comprar antecipadamente, contando ainda com “a sorte de alguns dos fornecedores” manterem os preços, mas “não é certo”, havendo alguns contratos a ser rasgados no setor.
“Esperemos que não cheguemos a esse ponto, mas tudo é uma incógnita. Nós vivÃamos em paz durante muitos anos, tivemos uma pandemia grande de dois anos, mas os produtos mantinham-se com umas pequenas inflações”, um cenário agora confrontado com “uma inflação alta e subidas de preços anormais”.
Manuel Ramirez, que sucedeu ao pai (falecido no dia 08 de março) na liderança da empresa, reconheceu que aquilo a que os “clientes estão habituados, ou seja, uma certa estabilidade”, neste momento não é controlável.
Quanto aos preços dos consumidores, o industrial também afirma que já se começam a ver subidas, mas “um pouco ainda pela pandemia”, admitindo que futuramente a guerra irá “fazê-lo repercutir” ainda mais.
O empresário referiu ainda que, em termos de exportações, as conservas Ramirez exportavam “esporadicamente” para a Ucrânia, mas “muito no tempo da União Soviética, para Moscovo”.
“Estávamos a retomar Moscovo agora com uma certa força, mas ainda não era significativo”, afirmou, referindo que a empresa está presente para 50 mercados, algo que contribui para diluir riscos.
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