
Londres, 11 mar 2022 (Lusa) – A guerra na Ucrânia agravou a situação de muitos paÃses africanos já complicada pela pandemia de covid-19 na gestão da dÃvida externa, sendo urgentes mecanismos internacionais para fazer o reestruturamento, afirmou hoje Guillaume Chabert, do Fundo Monetário Internacional (FMI).Â
As dificuldades com o pagamento da dÃvida externa já existiam antes de 2020, admitiu o diretor adjunto do departamento de Estratégia, PolÃtica e Revisão do FMI, mas o fim da Iniciativa para a Suspensão do Serviço da DÃvida (DSSI) do G20 no final de 2021 fez voltarem as pressões sobre a liquidez dos paÃses.Â
Se a pandemia de covid-19 exacerbou os desafios daqueles paÃses, “o endurecimento das condições financeiras no mundo devido à normalização da polÃtica monetária pelos Estados Unidos, mas também a guerra na Ucrânia, pioraram [a situação]”, vincou Chabert, referindo a disrupção no comércio e o aumento de preços.Â
O responsável falava no ‘webinar’ sobre “Sustentabilidade da dÃvida africana e necessidades de financiamento”, organizado pelo centro de estudos Chatam House.
O economista francês adiantou que os pagamentos da dÃvida externa em 2022 vão superar os nÃvel pré-pandemia, pois, com o fim do DSSI, os paÃses têm não só de aumentar os pagamentos mas também pagar maturidades que foram diferidas em 2020.Â
Segundo o FMI, entre os 36 paÃses africanos elegÃveis para DSSI, 21 estão atualmente classificados como de alto risco ou em sobreendividamento.
“Alguns vão precisar de reestruturamento da dÃvida e vamos precisar de um mecanismo funcional. (…) Progressos são necessários urgentemente”, defendeu Chabert, sugerindo que o instrumento que substitui o DSSI, o Enquadramento Comum para a Reestruturação da DÃvida, seja estendido a outros paÃses que não elegÃveis para o DSSI, mas que também têm grandes desafios com a dÃvida.
A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que já causou pelo menos 549 mortos e mais de 950 feridos entre a população civil e provocou a fuga de 4,5 milhões de pessoas, entre as quais 2,5 milhões para os paÃses vizinhos, segundo os mais recentes dados da ONU.
A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas a Moscovo.
BM // LFSÂ
Lusa/fimÂ
Â



