
Lisboa, 11 mar 2022 (Lusa) — O presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública afirmou hoje que está a haver em Portugal uma “anormal disseminação” do vÃrus da gripe A e apelou para a adoção de medidas de proteção usadas para a covid-19.
Gustavo Tato Borges disse à agência Lusa que nesta altura é normal haver casos de gripe, mas sublinhou que “haver tantos casos de gripe A não é tão frequente”.
“A propagação da doença acaba por ser relativamente normal, mas este ano estamos a detetar mais casos do que habitual em Portugal”, disse.
O especialista lembrou o surto de gripe A ocorrido na zona de Leiria com “uma dimensão bastante grande”, que atingiu mais de 60 jovens e estava a ser investigado pelas autoridades de saúde da região Centro, para além dos relatos de infeção por gripe A espalhados pelo paÃs.
O presidente da associação observou que a vacinação contra a gripe voltou a contemplar este ano a proteção contra a gripe A, mas referiu que a cobertura vacinal fica mais restringida aos grupos de risco, sendo que “há muitas crianças, jovens e adultos que não foram vacinados”.
Para prevenir a gripe A, bem como outras infeções respiratórias, Gustavo Tato Borges aconselhou o uso da máscara em situações de maiores aglomerados populacionais, a etiqueta respiratória, não ir trabalhar com sintomas gripais, a lavagem frequente das mãos e a vacinação.
Recordou que o efeito destas medidas se refletiu no ano passado em que a gripe foi praticamente inexistente.
Contactada pela Lusa sobre alegados surtos em escolas, a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo afirmou que “os alegados casos de gripe sazonal – subtipo A foram identificados num contexto comunitário, não associado a nenhuma escola em especÃfico”.
“Reforçamos que a atividade gripal mantém um nÃvel semelhante ao ano passado, incluindo a circulação de diversos vÃrus respiratórios, entre os quais a gripe sazonal – subtipo A”, sublinhou numa resposta escrita à Lusa.
Também contactado pela agência Lusa, o presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, Nuno Jacinto, afirmou que os casos de gripe A “não serão algo de anormal”.
“Estamos no inverno e já há poucas medidas de contenção, pelo que surgem infeções respiratórias. Temos tido conhecimento de alguns casos de gripe A, embora na prática clÃnica diária seja para nós difÃcil saber de que vÃrus se trata”, disse Nuno Jacinto, explicando que essa monitorização é feita pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA).
Segundo o boletim de vigilância da gripe do INSA, referente à semana de 28 de fevereiro a 06 de março, a taxa de incidência de sÃndrome gripal subiu para 15,1 por 100.000 habitantes, numa tendência de atividade gripal crescente.
Neste perÃodo, foram registados 165 casos positivos para o vÃrus da gripe, todos do tipo A. Em 20 dos casos foi identificado o subtipo A(H3N2) e num dos casos o subtipo A(H1N1), refere o INSA, ressalvando que os valores de incidência devem ser interpretados tendo em conta “a reorganização do atendimento ao doente respiratório e a menor população sob observação do que a observada em perÃodo homólogo de anos anteriores”.
Os valores de vigilância clÃnica da gripe foram apurados através da rede médicos-sentinela, um sistema de informação constituÃdo por médicos de medicina geral e familiar do continente e das regiões autónomas.
HN (SO) // JMR
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