
Paris, 06 mar 2022 (Lusa) – O Presidente Emmanuel Macron falou hoje com Vladimir Putin para “garantir” a segurança das centrais nucleares na Ucrânia e também para exigir o fim do conflito, relembrando ao lÃder russo as regras de tratamento dos civis durante conflitos armados.
“A chamada do Presidente Emmanuel Macron a Vladimir Putin tinha um objetivo principal, que era garantir a segurança das centrais nucleares na Ucrânia. Para além disso, era importante transmitir ao Presidente Putin as suas preocupações e exigências em termos humanitários e polÃticos para que ele se comprometa, finalmente, com uma negociação que coloque um ponto final à s operações russas”, disse fonte do Eliseu aos jornalistas.
Vladimir Putin respondeu que “não tem intenção” de atacar as centrais nucleares russas, tendo-se mostrado disponÃvel para continuar a cumprir as regras da Agência Internacional de Energia Atómica e rejeitando que as forças russas tenham atacado a central nuclear de Zaporizhia esta semana.
O lÃder russo disse aceitar uma cooperação mais próxima com o diretor da Agência Internacional de Energia Atómica, Rafael Mariano Grossi. O dirigente desta organização da energia nuclear reuniu-se esta semana com urgência com Emmanuel Macron.
O chefe de Estado francês frisou ainda que “é necessário que o direito internacional seja plenamente respeitado” e que isso significa que a proteção dos civis “deve ser organizada”, permitindo assim ajuda humanitária, nomeadamente rotas de fuga seguras para os ucranianos que desejem abandonar Mariupol.
Ainda segundo fonte do Eliseu, Putin retorquiu que a “responsabilidade é dos ucranianos de deixarem ou não sair as populações das cidades” e Macron disse que o mais correto seria fazer uma “pausa humanitária” nos combates para permitir a saÃda dessas pessoas.
Os termos do fim da invasão voltaram a ser enumerados por Vladimir Putin ao longo desta conversa de uma hora e 45 minutos, incluindo a desnazificação da Ucrânia, com o lÃder do Kremlin a repetir também que os seus objetivos serão atingidos “quer por negociações quer através da guerra”.
Tentando novos esforços para negociações, Macron lembrou que isso terá um custo também para a Rússia e que seria melhor voltar à mesa de discussões.
Emmanuel Macron vai falar ainda esta tarde com Volodymir Zelensky e também com o primeiro-ministro israelita, Naftali Bennett, que esteve em Moscovo no sábado.
A Rússia lançou na madrugada de 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que, segundo as autoridades de Kiev, já fez mais de 2.000 mortos entre a população civil.
Os ataques provocaram também a fuga de mais de 1,5 milhões de pessoas para os paÃses vizinhos, de acordo com as Nações Unidas.
A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas a Moscovo.
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