
Estoril, Lisboa, 03 mar 2022 (Lusa) — José Manuel Constantino considerou hoje que o Comité OlÃmpico Internacional (COI) “não tinha outra saÃda” que não recomendar a exclusão de atletas russos e bielorrussos das competições internacionais, desejando “uma solução de paz” que evite outras medidas.
“Acho que não tinha outra saÃda. Há uma violação da Carta OlÃmpica, da trégua olÃmpica, há uma violação da soberania de um paÃs [Ucrânia]. Portanto, não restava à s autoridades desportivas outra solução que não fosse afastar os paÃses que estão na origem destas violações”, sustentou o presidente do Comité OlÃmpico de Portugal (COP).
O dirigente estimou que o “mundo não compreenderia que a posição do COI fosse distinta daquela que anunciou e que pediu à s federações desportivas internacionais que acompanhassem”.
O Comité OlÃmpico Internacional (COI) recomendou na segunda-feira que federações desportivas e organizadores não convidem ou permitam a participação de atletas russos ou bielorrussos em quaisquer provas internacionais, na sequência da invasão da Ucrânia pela Rússia, uma recomendação prontamente seguida pela maioria das entidades federativas internacionais.
José Manuel Constantino, que falava aos jornalistas à margem da 25.ª Gala do Desporto, no Casino Estoril, disse esperar que “se encontre uma solução de paz entre as partes que estão em conflito e que esta situação possa ser reconfigurada no quadro de relações pacÃficas e harmoniosas entre os diferentes paÃses”, evitando um agravamento das medidas do COI relativamente à Rússia e à Bielorrússia, como uma eventual exclusão dos comités olÃmpicos daqueles paÃses do organismo.
“Aquilo que neste momento temos presente é que o quadro todos os dias se está a agravar. As expectativas de uma solução negociada e pacÃfica creio que é desejada pela comunidade internacional, mas estamos longe de poder dizer que há luz ao fundo do túnel”, notou.
O presidente do COP considerou “salutar a perceção que a generalidade das organizações desportivas nacionais e internacionais tiveram quanto à gravidade [do conflito] e à necessidade de adotar medidas punitivas relativamente aos paÃses que cometeram estas infrações ao direito internacional”.
“Eu creio que o agravamento do custo de matérias-primas vai ter consequências do ponto de vista das economias nacionais e temo que isso também tenha consequências na economia portuguesa. E se isso ocorrer, todos vamos sentir o efeito”, reconheceu ainda, ao ser questionado sobre se o impacto do conflito pode ser sentido no desporto nacional.
A Rússia lançou na madrugada de 24 de fevereiro uma ofensiva militar com três frentes na Ucrânia, com forças terrestres e bombardeamentos em várias cidades. As autoridades de Kiev contabilizaram, até ao momento, mais de 2.000 civis mortos, incluindo crianças, e, segundo a ONU, os ataques já provocaram mais de um milhão de refugiados na Polónia, Hungria, Moldova e Roménia, entre outros paÃses.
O presidente russo, Vladimir Putin, justificou a “operação militar especial” na Ucrânia com a necessidade de desmilitarizar o paÃs vizinho, afirmando ser a única maneira de a Rússia se defender e garantindo que a ofensiva durará o tempo necessário.
O ataque foi condenado pela generalidade da comunidade internacional, e a União Europeia e os Estados Unidos, entre outros, responderam com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas para isolar ainda mais Moscovo.
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