
Berlim, 24 fev 2022 (Lusa) — Os lÃderes do G7 condenaram hoje a invasão da Rússia à Ucrânia, que representa uma “ameaça à ordem internacional” e prometeram uma resposta contundente e coesa a uma crise que terá efeitos “além da Europa”.
As sete grandes potências responsabilizam explicitamente o Presidente russo Vladimir Putin pelo ataque “absolutamente injustificável”, pode ler-se no comunicado divulgado pela presidência alemã, no final da reunião virtual entre os lÃderes dos Estados Unidos, Canadá, Japão, França, Reino Unido, Itália e Alemanha.
No texto, o G7 manifesta a preocupação pelos efeitos do conflito no mercado global do setor da energia e especificamente do gás.
A Alemanha suspendeu na terça-feira, ainda antes do inÃcio do ataque, a licença do gasoduto russo Nord Stream 2, cuja construção terminou em 2021, mas que ainda estava pendente da obtenção de certificados em operação.
Os lÃderes dos G7 comprometem-se a “estreitar a cooperação entre os produtores do setor e o consumidor para garantir que o fornecimento de energia se mantém estável à escala global” e asseguram que irão “agir” caso ocorram eventuais alterações que tenham de ser corrigidas.
Sobre a invasão russa à Ucrânia, as sete potências destacam que não existiu “uma provocação prévia” e que o ataque altera a “segurança transatlântica”, visto que os efeitos se repercutirão “além da Europa”.
Os lÃderes instam diretamente o Presidente russo, Vladimir Putin, a parar “imediatamente” com o ataque e a ordenar a retirada das suas tropas na Ucrânia, refere o comunicado.
“O Presidente Putin devolveu a guerra ao continente europeu e colocou-se assim no lugar errado da história”, sublinham os lÃderes do G7.
A reunião virtual do G7 foi convocada de emergência pela Alemanha, que detém a presidência rotativa do grupo este ano, e decorreu à margem da reunião ordinária dos lÃderes que, pelo calendário habitual, deve ocorrer no fim de junho.
Após a conferência virtual, o chanceler alemão Olaf Scholz explicou que o objetivo da reunião era de “concentrar” as ações da comunidade internacional face ao ataque da Rússia à Ucrânia.
O G7, tal como a União Europeia (UE), está a preparar um pacote de sanções coordenadas contra a Rússia, acrescentou Scholz.
Os detalhes deverão ser finalizados no Conselho Europeu extraordinário que se realiza esta noite em Bruxelas, presencialmente.
Também o chefe de Estado norte-americano, Joe Biden, referiu através da rede social Twitter que serão impostos pacotes de sanções “devastadores” contra a Rússia.
“Concordamos em impor pacotes de sanções e outras medidas económicas devastadoras para responsabilizar a Rússia. Estamos com o corajoso povo da Ucrânia”, acrescentou.
A declaração conjunta do G7 salienta ainda o “apoio e solidariedade inabaláveis” à Ucrânia.
“Estamos unidos na determinação de dar respostas comuns tanto aos desafios de natureza sistémica quanto à s crises imediatas do nosso tempo”, garantem os lÃderes no comunicado.
Além da menção explicita da invasão russa à Ucrânia, a declaração das sete potências expressa ainda o compromisso geral com a defesa dos sistemas democráticos e do multilateralismo em questões como o clima, meio ambiente e combate à pandemia de covid-19.
A Rússia lançou hoje de madrugada uma ofensiva militar em território da Ucrânia, com forças terrestres e bombardeamento de alvos em várias cidades, que já provocou pelo menos meia centena de mortos, 10 dos quais civis, em território ucraniano, segundo Kiev.
O Presidente russo, Vladimir Putin, disse que a “operação militar especial” na Ucrânia visa “desmilitarizar e desnazificar” o seu vizinho e que era a única maneira de o paÃs se defender, precisando o Kremlin que a ofensiva durará o tempo necessário, dependendo dos seus “resultados” e “relevância”.
O ataque foi de imediato condenado pela generalidade da comunidade internacional e motivou reuniões de emergência de vários governos, incluindo o português, e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), União Europeia (UE) e Conselho de Segurança da ONU.
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