
Washington, 07 fev 2022 (Lusa) — O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, defendeu hoje em Washington que a Europa atravessa “o momento mais perigoso” desde o fim da Guerra Fria, apesar de ser ainda possÃvel uma “solução diplomática” com a Rússia.
Inquirido numa conferência de imprensa conjunta com o seu homólogo norte-americano, Antony Blinken, sobre os alertas dos Estados Unidos quanto à iminência de uma possÃvel invasão russa da Ucrânia, Borrell afirmou ter “uma grande preocupação” com essa ameaça.
“Estamos sem dúvida a viver, na minha opinião, o momento mais perigoso para a segurança da Europa desde o fim da Guerra Fria: ninguém concentra 140.000 soldados fortemente armados na fronteira de um paÃs sem que isso represente uma grande ameaça”, sustentou, fazendo uma estimativa das dimensões do contingente russo à s portas da Ucrânia mais elevada que os 110.000 homens referidos nos últimos dias por responsáveis norte-americanos.
“Esses 140.000 militares concentrados na fronteira não estão lá para tomar chá”, exclamou o Alto Representante da União Europeia para a PolÃtica Externa e de Segurança.
Ao seu lado, o secretário de Estado norte-americano rejeitou qualquer “alarmismo” nos alertas feitos por Washington.
“Não é alarmismo, são simplesmente os factos”, afirmou.
Os norte-americanos e os europeus acusam o Presidente russo, Vladimir Putin, de estar a preparar uma invasão da Ucrânia e ameaçam impor severas sanções económicas se ele passar à ação.
“Não pensamos que o senhor Putin já tenha tomado a sua decisão, mas ele mobilizou os meios para, se decidir fazê-lo, agir muito rapidamente contra a Ucrânia de uma forma que terá consequências terrÃveis para a Ucrânia, a Rússia e para todos nós”, frisou Blinken.
Os dois responsáveis garantiram, contudo, que a diplomacia ainda está em ação.
“Pensamos que uma solução diplomática para esta crise ainda é possÃvel. Esperamos o melhor mas preparamo-nos para o pior”, resumiu Josep Borrell.
Durante o seu discurso de abertura no conselho bilateral de Energia, em Washington, Blinken sublinhou que “a Rússia tentou aumentar a vantagem energética”, com as empresas russas a deixar de distribuir gás natural para a Europa, contribuindo para o aumento dos preços da energia, em pleno inverno.
Nesse sentido, o chefe da diplomacia norte-americana reiterou o compromisso de Washington em garantir o abastecimento energético da Europa.
 Juntamente com Blinken e Borrell, também participaram no conselho bilateral a comissária europeia para a Energia, Kadri Simson, e a secretária da Energia dos EUA, Jennifer Granholm.
Esta reunião realizou-se 10 dias depois de as duas partes terem respondido às ameaças da Rússia nas fronteiras da Ucrânia, reforçando a sua aliança energética para garantir o fornecimento de gás natural ao grupo dos 27, no caso de uma crise provocada por uma eventual invasão russa.
Num comunicado conjunto, em 28 de janeiro, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, prometeram “intensificar a cooperação energética” para que cidadãos e empresas da UE e dos paÃses vizinhos “garantissem um abastecimento de energia fiável e acessÃvel”.
ANC (RJP) // PDF
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