
Atmé, SÃria, 03 fev 2022 (Lusa) — A operação antiterrorista lançada hoje pelas tropas norte-americanas numa região do noroeste da SÃria para capturar lÃderes jihadistas procurados provocou pelo menos 13 mortos, entre os quais mulheres e crianças, segundo uma organização não-governamental.
A Agência France Presse (AFP), citando o Pentágono, diz que não houve baixas entre as forças dos EUA e que esta operação, contra um prédio em Atme, na provÃncia de Idleb, “foi um sucesso”.
Esta é a maior operação das forças dos EUA na SÃria desde a morte, em outubro de 2019, de Abu Bakr al-Baghdadi, lÃder do grupo jihadista Estado Islâmico (EI), morto num ataque na região de Idleb, que escapa ao controlo do poder na SÃria, indicou o diretor do Observatório SÃrio para os Direitos Humanos (OSDH), Rami Abdel Rahmane.
Segundo o OSDH, que conta com uma vasta rede de fontes naquele paÃs em guerra, os soldados desembarcaram de helicóptero perto de acampamentos para deslocados na localidade de Atmé, na provÃncia de Idlib, em grande parte controlada por jihadistas e rebeldes.
“As Forças Especiais dos EUA conduziram uma missão de contraterrorismo durante a noite no noroeste da SÃria”, acrescentou o Pentágono, em comunicado, acrescentando que “mais informações serão fornecidas mais tarde.”
A operação provocou confrontos que duraram duas horas, disse o OSDH, sem especificar as identidades dos jihadistas procurados.
“Pelo menos 13 pessoas, incluindo quatro crianças e três mulheres, foram mortas na operação”, adiantou.
De acordo com os correspondentes da AFP no local, a operação americana teve como alvo um prédio de dois andares numa área cercada por árvores. Parte do prédio foi destruÃda e o chão dos quartos estava coberto de sangue. De acordo com moradores, lÃderes jihadistas do grupo Al-Qaeda foram alvejados.
Alguns moradores disseram à AFP que ouviram bombardeamentos e tiros. Numa uma gravação de áudio que circulou entre a população e que foi atribuÃda à s forças dos EUA, uma pessoa pede, em árabe, a mulheres e crianças que evacuem as casas naquela área.
De acordo com especialistas, os campos superlotados na região de Atme, localizada no norte da provÃncia de Idlib, servem de base para lÃderes jihadistas escondidos entre os deslocados.
Parte da provÃncia de Idlib e partes das provÃncias vizinhas de Hama, Aleppo e Latakia são dominadas por Hayat Tahrir al-Sham (HTS), o antigo ramo sÃrio da Al-Qaeda. Grupos rebeldes e outras formações jihadistas, como o grupo Houras al-Din, também estão presentes.
Estas fações já foram alvo de ataques aéreos do regime sÃrio, seu aliado russo, mas também da coligação internacional antijihadista liderada pelos Estados Unidos.
Mas as operações de helicóptero, como esta, continuam a ser muito raras na SÃria, onde as tropas americanas são enviadas como parte da coligação antijihadista.
Em dezembro passado, as forças dos EUA mataram um alto funcionário do Houras al-Din num ataque de drone.
A operação de hoje ocorreu poucos dias após o fim de um ataque do denominado Estado Islâmico a uma prisão das Forças Democráticas SÃrias (FDS), dominadas pelos curdos, na região de Hassaké (nordeste).
Este ataque foi a ofensiva mais importante do grupo jihadista desde sua derrota territorial na SÃria, em 2019, contra as FDS, apoiadas pela coligação internacional.
O ataque à prisão e os combates que se seguiram deixaram 373 mortos, incluindo 268 jihadistas, 98 membros das forças curdas e sete civis, segundo o OSDH.
O grupo Estado Islâmico foi expulso de suas fortalezas na SÃria e no Iraque, mas continua a realizar ataques nestes dois paÃses usando “células adormecidas”.
“A Al-Qaeda está a usar a SÃria como base de apoio para se reconstituir, coordenar com seus afiliados e planear operações no exterior”, disse John Rigsbee, porta-voz do Comando Central do Exército dos EUA, no final de 2021.
A complexa guerra na SÃria, um paÃs fragmentado onde intervêm diferentes protagonistas, já matou cerca de 500.000 pessoas desde 2011.
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