
Lisboa, 01 fev 2022 (Lusa) — O presidente da associação ambientalista Zero, Francisco Ferreira, alertou hoje para a grande quantidade de resÃduos hospitalares a chegar aos oceanos, sobretudo em paÃses em desenvolvimento, que não têm sistemas de encaminhamento apropriados.
“Em particular, paÃses em desenvolvimento, onde este encaminhamento apropriado dos resÃduos hospitalares não tem lugar. Já existe informação muito recente que demonstra que estes resÃduos estão a chegar em grande quantidade aos oceanos”, disse à agência Lusa Francisco Ferreira.
O especialista falava a propósito do alerta lançado hoje pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para a “necessidade extrema” de se melhorar a gestão de resÃduos, face ao aumento de milhares de toneladas de resÃduos médicos resultantes da pandemia de covid-19.
“É uma preocupação que a OMS levanta porque a pandemia afetou-nos à escala mundial e os paÃses que não conseguem fazer a triagem e o tratamento adequado dos resÃduos acabam por ter um impacto em termos de saúde e também no ambiente muito considerável”, afirmou.
Francisco Ferreira lembrou que Portugal tem um sistema que encaminha estes resÃduos hospitalares, seja para tratamento e depois para aterro seja para incineração, quando têm maior perigosidade, mas diz que era preciso um maior investimento na redução e na reutilização.
“Não fazemos ainda, em muitos casos, o investimento que achamos que seria possÃvel na redução e reutilização de alguns destes materiais, que poderiam ser substituÃdos”, disse o especialista, acrescentando: “É um esforço não apenas da pandemia, mas sistemático, desde há muitos anos, para diminuir produção de resÃduos hospitalares”.
Além dos resÃduos hospitalares, aponta outra vertente do problema dos resÃduos relacionados com a pandemia, que são os produzidos pela população em materiais de proteção e testagem.
“Aà não é um problema apenas dos paÃses em desenvolvimento, mas também em Portugal, onde as máscaras continuam infelizmente a estar presentes nas ruas, na paisagem, e também acabam por, depois de serem arrastadas pelo vento e pela chuva para as linhas de água, chegar aos oceanos”, afirmou.
Sublinhou a necessidade de a população colocar este tipo de resÃduos junto dos resÃduos indiferenciados e disse que muitos até poderiam ser entregues nas farmácias, como os que resultam dos auto-testes.
“O caso das máscaras é o mais visÃvel. Deveriam estar a ser encaminhadas sempre para os resÃduos indiferenciados e nunca serem deitadas fora, nas ruas, como infelizmente acaba por acontecer, marcando a paisagem que temos”, concluiu.
Francisco Ferreira adiantou que a Zero tem feito um grande apelo para o uso de máscaras não descartáveis, que têm um perÃodo de vida e cuidados de lavagem, mas permitem poupar o ambiente em termos de produção de resÃduos, mas reconhece que a maioria opta por máscaras descartáveis.
“Provavelmente por receio da nova variante e também pela falta de informação e sensibilização para o uso de máscaras reutilizáveis devidamente certificadas”, explicou.
“Aà depende daquilo que é a atitude e responsabilidade de cada um em colocar as descartáveis nos resÃduos indiferenciados”, acrescentou
O dirigente da Zero aponta ainda dois movimentos contrários com a pandemia: por um lado, o teletrabalho e o maior perÃodo de tempo passado em casa fez aumentar a produção de resÃduos e, por outro, a quebra na atividade turÃstica nas grandes cidades, como Lisboa e Porto, fez cair a quantidade de resÃduos produzidos para nÃveis abaixo da situação em pré-pandemia.
“No equilÃbrio, acabamos por ter reduções de produção resÃduos em relação ao que tÃnhamos”, disse.
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