
Washington, 30 jan 2022 (Lusa) – O diretor do departamento africano do Fundo Monetário Internacional (FMI) disse hoje à Lusa que a previsão de crescimento económico para Angola este ano foi revista em alta, de 2,4% para 3%, elogiando o governo pelas reformas.
“Em Angola, prevemos um crescimento de 3% para este ano e cerca de 4% a médio prazo, mas mais do que o ponto de destino, o que estamos a ver é a tendência, o paÃs está a sair de um perÃodo incrivelmente difÃcil”, disse Abebe Aemro Selassie em entrevista à Lusa por videoconferência a partir de Washington.
“Angola foi atingida por múltiplos choques, primeiro o declÃnio nos preços das matérias primas, em 2015 e 2016, que teve efeitos enormes na economia, e quando respondiam a isso veio a pandemia, que teve um efeito incrivelmente adverso na economia”, acrescentou o diretor do departamento africano do FMI.
“Finalmente estamos a ver uma expansão económica, é muito, muito importante e encorajador, porque é um reflexo das medidas que o governo tomou para reformar o paÃs e controlar os desequilÃbrios macroeconómicos”, apontou Selassie.
A economia angolana deverá ter saÃdo da recessão no ano passado, antevendo um crescimento próximo de 0%, com as principais instituições internacionais e analistas a preverem uma expansão económica superior a 2% este ano, sustentado não só na recuperação dos preços do petróleo, mas também no crescimento da economia não petrolÃfera, fruto da diversificação económica em curso.
Questionado sobre se, depois do fim do programa de ajustamento financeiro de 4,5 mil milhões de dólares que terminou em dezembro, o FMI e o Governo angolano vão acertar um novo programa, Selassie respondeu que ainda é cedo, mas mostrou-se disponÃvel para o que as autoridades precisarem.
“Não discutimos ainda um novo programa, temos o habitual debate com troca de ideias e de análise sobre os indicadores económicos, mas estamos ainda à espera que o governo diga como quer fazer, mas é muito cedo, o programa acabou agora. Dada toda a adversidade dos choques que enfrentaram, fizeram um esforço notável para lidar com os desequilÃbrios e é muito encorajador ver um crescimento este ano, mas a chave para o futuro será manter as reformas e a expansão económica, e vamos apoiá-los de qualquer maneira que escolham”, respondeu.
Na entrevista, Selassie deixou vários elogios ao empenho das autoridades angolanas na implementação do programa, mas vincou que a incerteza é a palavra de ordem em tempos pandémicos.
“Dada a escala dos choques, fizeram um trabalho tremendo para manter a economia e chegarem até aqui, mas há muitas questões, a polÃtica restritiva dos bancos centrais, pode haver turbulência nos mercados, pode haver outra variante, por isso, sucesso, sim, mas há que manter o curso e o objetivo derradeiro é fazer subir a taxa de crescimento para 6 ou 7% e tratar das cicatrizes recentes”, disse o economista, concluindo que “essa é a agenda a que as autoridades angolanas estão a dar prioridade, e são desafios partilhados por muitos outros paÃses africanos”.
MBA // PJA
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