
Bruxelas, 28 jan 2022 (Lusa) — A União Europeia (UE) está a procurar no Qatar alternativas para a compra de gás, com o objetivo de reduzir a dependência energética da Rússia, principal fornecedor, em plena crise devido à Ucrânia.
Os presidentes do Conselho Europeu, Charles Michel, e da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, falaram hoje ao telefone com o emir do Qatar, Tamim bin Hamad al Zani, sobre fornecimento de gás para a UE.
“A parceria UE-Qatar é multifacetada e próspera”, escreveu Michel na sua conta na rede social Twitter, salientando que “a fiabilidade do Qatar como fornecedor de energia é importante para a segurança energética e o abastecimento de gás da UE”.
Também Von der Leyen deu conta, na mesma rede, do “excelente telefonema” com o emir “sobre a intensificação da parceria UE-Qatar, incluindo em matéria de energia”.
A lÃder do executivo comunitário sublinhou ainda a importância de reforçar a segurança energética do bloco “com todos os parceiros fiáveis”.
Os dois telefonemas, tendo Michel falado com Tamim bin Hamad al Zani horas depois da sua homóloga da Comissão Europeia, tiveram lugar em plena crise entre a UE e a Rússia — o principal fornecedor de gás ao bloco — por causa da Ucrânia.
A Rússia (41,1%) era em 2019 o principal fornecedor de gás à UE, seguida da Noruega (16,2%) a Argélia (7,6%) e do Qatar (5,2%), segundo os mais recentes dados oficiais, sendo também o principal exportador de combustÃvel sólido para o bloco (46,7%).
A Ucrânia e os paÃses ocidentais acusaram a Rússia de ter enviado pelo menos 100.000 tropas para a fronteira ucraniana, nos últimos meses, com a intenção de invadir de novo o paÃs vizinho, depois de ter anexado a penÃnsula ucraniana da Crimeia, em 2014.
A Rússia negou essa intenção, mas disse sentir-se ameaçada pela expansão de 20 anos da NATO ao Leste europeu e pelo apoio ocidental à Ucrânia.
Moscovo exigiu o fim da polÃtica de expansão da NATO, incluindo para a Ucrânia e a Geórgia, a cessação de toda a cooperação militar ocidental com as antigas repúblicas soviéticas e a retirada das tropas e armamento dos aliados para as posições anteriores a 1997.
Os Estados Unidos e a NATO rejeitaram formalmente, na quarta-feira, as principais exigências de Moscovo, mas propuseram a via da diplomacia para lidar com a crise.
Em particular, abriram a porta a negociações sobre os limites recÃprocos da instalação dos mÃsseis de curto e médio alcance das duas potências nucleares rivais na Europa, e sobre exercÃcios militares nas proximidades das fronteiras do campo adversário.
IG (PNG) // JNM
Lusa/fim



