
Ponta Delgada, Açores, 27 jan 2022 (Lusa) — O presidente do Governo dos Açores observou hoje que os aumentos dos custos de produção vão ter “muitas consequências” na economia da região, que vai precisar de ajuda nacional e comunitária para combater esses “sobrecustos”.
Em declarações aos jornalistas, após a apresentação do relatório de sustentabilidade do grupo empresarial Finançor, em Ponta Delgada, José Manuel Bolieiro alertou para as “muitas consequências” previstas para a economia açoriana devido ao aumento da inflação e do custo das matérias-primas.
“[Vamos ter uma] especial sensibilidade no quadro nacional e comunitário para assegurar, desde logo, o reconhecimento da ajuda que vamos precisar para combater estes sobrecustos. A acrescentar aos da insularidade, [vamos ter] estes, que são de nÃvel mundial, desde logo com o aumento significativo dos fatores de produção na nossa economia”, afirmou Bolieiro, quando questionado sobre as perspetivas para a economia do arquipélago.
O lÃder do executivo PSD/CDS-PP/PPM realçou que, “infelizmente”, não vai ser possÃvel conter as consequências, porque “não estão no domÃnio” do Governo Regional.
“Temos de ser todos muito solidários uns com os outros. Desde logo as polÃticas públicas com a nossa economia privada e a nossa economia privada com os consumidores, para situações que nos tornarão, eventualmente, mais frágeis perante a concorrência e a competitividade universal”, assinalou.
A propósito do relatório de sustentabilidade da Finançor, José Manuel Bolieiro defendeu que os Açores podem ser um “bom exemplo” a nÃvel mundial na “transição energética”, ambiental e climática.
“Que um projeto de desenvolvimento sustentável não fique apenas na responsabilidade das entidades públicas e pelas polÃticas públicas dos governos e, neste caso, do Governo dos Açores. Que também possa ser assumido, com grande afinco de escrutÃnio, por parte das nossas empresas”, assinalou, realçando, contudo, que os Açores são “mais vÃtimas do que autores” das alterações climáticas.
Na quarta-feira, a Moody’s antecipou que a inflação deverá continuar a aumentar este ano, antes de começar a cair em 2023, considerando que o aumento dos preços resulta de fatores temporários.
Na terça-feira, o Fundo Monetário Internacional (FMI) cortou a previsão de crescimento da economia mundial para este ano em 0,5 pontos percentuais (pp.) para 4,4%, prevendo que os nÃveis mais altos de inflação deverão permanecer durante mais tempo do que o previsto, enquanto as disrupções nas cadeias de abastecimento e os preços elevados da energia se mantêm.
Segundo um relatório das Nações Unidas (ONU), divulgado a 13 de janeiro, a inflação, que se tornou negativa em muitos paÃses europeus em 2020, acelerou acentuadamente no segundo semestre de 2021, fixando-se acima da meta de 2% do Banco Central Europeu (BCE).
Este cenário é explicado pela ONU, em parte, pelo aumento dos custos das matérias-primas e da energia, aliado à s ruturas nas cadeias de abastecimento e, “embora alguns desses fatores sejam considerados transitório”, existe “o risco de um perÃodo mais longo do que o previsto de inflação acima da meta” na zona euro.
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