
Matosinhos, Porto, 25 jan 2022 (Lusa) — O disco “After Midnight”, que junta a Orquestra Jazz de Matosinhos a Rebecca Martin e à s suas canções, sai esta sexta-feira, a tempo dos 25 anos do grupo, incluindo letras ditas por vozes como as de Rachel Weisz e Amy Correia.
O álbum começou a ser gravado em janeiro de 2020, mas “depois meteu-se a pandemia e foi uma chatice para gravar o disco”, conta à agência Lusa Pedro Guedes, fundador e diretor musical da Orquestra Jazz de Matosinhos (OJM).
“After Midnight” nasce da vontade de gravar um disco “com uma voz americana” e a escolha recaiu sobre Rebecca Martin porque, “além de cantar muito bem o cancioneiro americano, é também ela escritora de canções, e tem canções lindÃssimas, belÃssimas e com belas letras”, considera o pianista.
Essas letras ganham uma nova dimensão na edição que será lançada esta sexta-feira e inclui um ‘audiobook’ em que as canções são recitadas por 11 “mulheres de excelência”, todas escolhidas por Rebecca Martin.
Entre elas estão a atriz britânica Rachel Weisz, as cantoras norte-americanas Amy Correia, Alice Bierhorst e Gretchen Parlato, a professora universitária e economista Francisca Guedes de Oliveira, entre ativistas ambientais, antropólogas, artistas, e até Terry Martin, mãe da cantora.
A ideia foi de Pedro Guedes, que acha “muito engraçado fazer esta justaposição das duas versões”.
“Quando oiço música com letra, tenho muita dificuldade, não presto atenção à s palavras, presto mais atenção ao timbre da voz e ao ritmo do que propriamente à s letras. (…) Sempre me senti um bocado ‘trouxa’ por não conseguir fazer isso, então lembrei-me de gravar as letras”, explica.
O músico acredita que “as letras lidas, além do significado poético que se lhes dá, ganham uma nova prosódia, um ritmo diferente do que quando se ouve a letra cantada numa canção”.
Com esta iniciativa, querem também “voltar a dar importância ao CD”, numa altura em que, “cada vez mais, se desvaloriza o disco fÃsico”.
“Estamos a dar uma coisa especial, uma coisa que é diferente, mas também precisamos que as pessoas comprem a nossa música, para que possamos ter de volta alguma coisa daquilo que investimos”, apela.
O disco, que já está disponÃvel para pré-venda em versão digital, e sai em formato fÃsico na sexta-feira, tem também um “‘booklet’ de 17 páginas com um ‘design’ muito bem feito”, adianta o pianista, destacando que “são peças artÃsticas que formam um todo”.
Composto por seis temas originais e cinco ‘standards’ de jazz, “After Midnight” foi produzido por Pedro Guedes e Rebecca Martin e gravado e misturado por Mário Barreiros no CARA — Centro de Alto Rendimento ArtÃstico, estúdio da OJM na Real VinÃcola.
Dois anos depois do inÃcio da sua gravação, acaba por sair a tempo da celebração dos 25 anos da Orquestra, que se assinalam a 30 de janeiro.
“Foi uma feliz coincidência”, diz Pedro Guedes, que calha bem, até porque o grupo tinha previsto “fazer um concerto no dia 30, a celebrar o dia em que a Orquestra fez o primeiro concerto no Héritage Café, e calha só no dia das eleições [legislativas], portanto, foi cancelado”, admite entre risos.
Ainda sim, será transmitida uma gravação de um concerto da OJM nesse dia.
Para o resto do ano, estão preparadas várias ações, como a edição de um livro que conta a história da Orquestra, o lançamento de uma gravação ao vivo de “Our Secret World” e um disco com temas inéditos, também com o reconhecido guitarrista Kurt Rosenwinkel.
Em novembro, haverá igualmente o “encerramento das celebrações” com um concerto na Casa da Música, em que serão tocados temas do reportório original da OJM, da autoria de Pedro Guedes e de Carlos Azevedo.
Antes disso, há “um desafio muito interessante que será tocar com o Remix Ensemble [agrupamento residente da Casa da Música] uma peça escrita especialmente para estas duas formações”, por Erkki-Sven Tüür.
A estreia mundial da obra do compositor estoniano, encomendada pela Casa da Música, pela Kölner Philarmonie e pela Câmara Municipal de Matosinhos, acontece a 23 de outubro, na sala de espetáculos do Porto.
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