
Rio de Janeiro, 19 jan 2022 (Lusa) – O Complexo da Muzema, no Rio de Janeiro, controlado por milÃcias, foi hoje ocupado pela PolÃcia brasileira, poucas horas após 1.200 agentes terem invadido a favela do Jacarezinho, num projeto de ocupação de comunidades afetadas pela criminalidade.
No Complexo da Muzema, que engloba as comunidades da Tijuquinha e Morro do Banco, na zona oeste do Rio de Janeiro, o foco da atuação policial é o combate ao comércio ilegal de gás de cozinha, crimes ambientais e construções irregulares.
No local encontram-se cerca de uma centena de agentes da PolÃcia Militar (PM) e da PolÃcia Civil do Rio de Janeiro, que, nas primeiras horas da operação, já encontraram construções ilegais.
“Na sequência das ações na Muzema, mais construções sem licenças ambientais e de estruturação foram encontradas. Os polÃcias do Comando de PolÃcia Ambiental [da PM] continuam no terreno em busca de outras ilegalidades “, indicou a PolÃcia Militar na rede social Twitter.
Ainda de acordo com a corporação, as construções irregulares em causa “capitalizam recursos financeiros a grupos criminosos da milÃcia local”.
A região é a mesma onde dois prédios ilegais desabaram em 2019, matando 24 pessoas.
As autoridades estimam que as milÃcias controlem cerca de um quarto do território do estado do Rio de Janeiro.
Com inÃcio na década de 1990, as milÃcias eram compostas, principalmente, por ex-polÃcias, bombeiros e militares que queriam combater a ilegalidade nos seus bairros.
Durante anos, chegaram a ser elogiadas por polÃticos, incluindo o agora Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, um ex-capitão do exército que, como deputado, pediu a legalização das milÃcias em 2008.
No entanto, os seus métodos brutais e áreas de controlo expandiram-se até aos dias de hoje e, segundo especialistas em segurança, estes grupos criminosos estão envolvidos em extorsão, negócios ilÃcitos e até homicÃdios.
Atualmente, alguns especialistas em crime argumentam que as milÃcias são a maior ameaça à segurança do Rio de Janeiro e que os seus métodos estão a ser copiados noutras cidades brasileiras.
Com o intuito de travar o crime na região, o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, lançou hoje o projeto “Cidade Integrada”, que, na prática, é uma reformulação do programa das Unidades de PolÃcia Pacificadora (UPP), uma polÃtica implementada a partir de 2008 com o objetivo de combater e desarticular o crime organizado e o tráfico de drogas nas comunidades e favelas da região.
O “Cidade Integrada” prevê patrulhamento, investigações para desestruturar organizações criminosas e intervenções sociais.
De acordo com o portal de notÃcias G1, até ao momento, 32 pessoas foram detidas no âmbito do projeto “Cidade Integrada”, iniciado hoje.
A primeira área a ser ocupada foi a favela do Jacarezinho, uma pobre comunidade do norte do Rio de Janeiro dominada pelo narcotráfico, que viu cerca de 1.200 agentes a invadir as suas ruas durante a madrugada de hoje.
A favela do Jacarezinho foi palco, em maio do ano passado, daquele que é considerado por organizações de direitos humanos como o maior massacre da história do Rio de Janeiro, pelos abusos cometidos pelos agentes durante uma ação policial, que durou nove horas e que matou 28 pessoas: 27 civis e um agente da polÃcia.
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