
Sidney, 17 jan 2022 (Lusa) – A Austrália e a Nova Zelândia enviaram hoje aviões militares de reconhecimento para o Tonga, onde vão avaliar os danos provocados pela erupção de sábado de um vulcão submarino, seguido de um tsunami.
Hoje, o Centro Australiano de Observação de Cinzas Vulcânicas (VAAC) em Darwin, norte da Austrália, chegou a alertar para “outra grande erupção”, mas a informação não foi confirmada pelos centros de alerta.Â
A erupção do vulcão submarino no arquipélago do Reino do Tonga, Polinésia, ocorrida sábado, foi uma das mais violentas dos últimos 30 anos a nÃvel mundial, sendo que o tsunami provocou a morte a duas pessoas no Peru.Â
O Alto Comissariado da Nova Zelândia no Tonga indicou hoje, através de comunicado, que “há informações sobre danos significativos, na costa oeste de Tongatupo, a principal ilha do paÃs, incluindo na zona hoteleira da costa da capital, Nuku’alofa.Â
De acordo com o mesmo documento, as autoridades tentam restabelecer as comunicações que foram interrompidas pela erupção seguida de um tsunami, nomeadamente as linhas de telefone e as ligações de internet.
“As comunicações estão limitadas”, disse o Alto Comissariado neozelandês no comunicado que foi divulgado através da rede digital Facebook.
A primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, disse que foi enviado um avião de reconhecimento neozelandês P3K Orion e anunciou que outro aparelho, um Hercules C-130, vai transportar ajuda para o Tonga, reino composto por um arquipélago de 169 ilhas e com 105 mil habitantes, no PacÃfico Sul.
“O que o Orion está a realizar é [uma missão de] reconhecimento, como estão a fazer os [aviões] australianos. É uma avaliação por meios aéreos”, disse Arden durante uma conferência de imprensa, na Nova Zelândia.
A primeira-ministra neozelandesa disse que esteve em contacto com as autoridades do Tonga – através de uma ligação por telefone satélite – sendo que até ao momento ainda não há informações sobre vÃtimas.
Arden alertou que “ainda é cedo” para se conhecer o alcance dos estragos, devido ao corte de comunicações.Â
A Austrália também anunciou o envio de um aparelho de reconhecimento e outro avião com ajuda de primeira necessidade destinada à s pessoas afetadas pela erupção do vulcão submarino Hunga Tonga Hunga Ha’apai que “provocou uma nuvem de 260 quilómetros de diâmetro”, que está a dificultar o reconhecimento aéreo.Â
As autoridades do Tonga informaram que a distribuição de eletricidade já foi restabelecida e que foram enviados navios de guerra para as zonas mais remotas do arquipélago.
“Nas próximas horas e dias vamos ter um panorama mais claro da situação no Tonga assim como no resto dos territórios do PacÃfico”, disse hoje o presidente do organismo Fórum do PacÃfico, Henry Puna.
A Cruz Vermelha Internacional disse entretanto que está a trabalhar com equipas no terreno para organizar o envio de ajuda às pessoas afetadas, nomeadamente água potável.
“A Cruz Vermelha conta com meios suficientes no paÃs para apoiar 1.200 famÃlias: tendas, cobertores, equipamentos para cozinhas portáteis e outros objetos de sobrevivência e higiene”, disse Katie Greenwood, responsável pela Cruz Vermelha no PacÃfico.
O vulcão, situado 65 quilómetros a norte da capital do Tonga, lançou no sábado vapor e cinzas, criando uma coluna com mais de 20 quilómetros de altura, e desencadeou um tsunami que provocou estragos no cabo submarino que liga o Tonga às ilhas Fiji.
Antes do corte de comunicações, habitantes do arquipélago difundiram fotografias e filmes das ondas do tsunami que atingiram vários pontos das ilhas, nomeadamente a capital do paÃs.
Outros paÃses vizinhos – como as Ilhas Fiji, o Reino do Vanuatu, e as Ilhas Samoa – também registaram o embate das ondas de dois metros de altura.Â
No Peru, a polÃcia informou através da rede social Twitter que duas pessoas morreram afogadas devido “à ondulação” anormal numa praia de Naylamp, perto da cidade de Lambayeque, no norte do paÃs.
A erupção do Hunga Tonga Hunga Ha’apai, um vulcão submarino com um longo historial de atividade e situado entre duas ilhotas que por vezes ficam unidas pela lava e cinzas acumuladas, foi visÃvel a centenas de quilómetros de distância.
Shane Cronin, vulcanólogo de Auckland, Nova Zelândia, considerou em declarações à Radio New Zealand que a erupção de sábado no Tonga foi uma das maiores dos últimos 30 anos.
“A grande e explosiva extensão lateral da erupção sugere que, provavelmente, foi a maior desde a erupção [nas Filipinas do vulcão] do Pinatubo em [13 de junho de] 1991”, disse o especialista.
Cronin explicou que os dados preliminares sobre a atividade de sábado no Hunga Tonga Hunga Ha’apai podem vir a indicar que o Ãndice que mede a magnitude da erupção (IEV) terá alcançado o valor cinco (num máximo de oito), sendo que a erupção do Monte Pinatubo atingiu em 1991 o valor seis.Â
O mesmo vulcanólogo disse ainda que uma IEV de valor cinco não ocorre mais do que “um par de vezes” numa década.Â
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