
Praia, 13 jan 2022 (Lusa) — O primeiro-ministro de Cabo Verde, Ulisses Correia e Silva, apontou hoje o empoderamento social, maior concentração e diálogo polÃtico e uma justiça mais célere como aspetos que podem aprimorar a democracia do arquipélago.
Em declaração à margem da sessão solene comemorativa do Dia da Liberdade e da Democracia, que assinala a realização, em 13 de janeiro 1991, das primeiras eleições multipartidárias em Cabo Verde, o chefe do Governo reconheceu que é preciso aperfeiçoar a democracia em vários aspetos.
A começar, disse, pelos partidos e pelo sistema polÃtico, que devem criar mecanismos de maior concentração e diálogo polÃtico, mas também passando pelo empoderamento social.
“Quando falo em empoderamento social não é só voz, é ter de facto os mÃnimos garantidos, termos um forte combate à pobreza extrema, fazer com que cada cabo-verdiano se realize cada vez mais e confie nas capacidades da Nação e nas instituições”, explicou Ulisses Correia e Silva, considerando que é preciso ainda ter uma justiça mais célere, que responda em tempo mais razoável à s expectativas dos cidadãos na sua realização.
“Nós temos de partir dum ponto que a avaliação é positiva, não há nada a desconstruir aquilo que foi construÃdo até agora, temos é que melhorar a situação democrática do paÃs”, defendeu.
Relativamente ao diálogo polÃtico, o chefe do Governo, suportado pelo Movimento para a Democracia (MpD), referiu que já está a ser criado um quadro de concentração e que vai ser desenvolvido, em referência ao encontro de trabalho realizado esta semana com o presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição), Rui Semedo.
Na altura, garantiu que este tipo de encontros será alargado também à União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID), outro dos partidos com representação parlamentar no paÃs.
“É evidente que vamos continuar a ter divergências, é assim também a pimenta da democracia, o seu sal, não podemos convergir todos pelo mesmo sentido, no pluralismo, na diferença, criarmos espaços de diálogo, de concertação e de entendimento, quer a nÃvel parlamentar, quer a nÃvel da relação do Governo com os partidos polÃticos”, frisou.
Relativamente ao Dia da Liberdade e da Democracia, Correia e Silva disse que é um “grande ganho” para Cabo Verde, dando como exemplo o facto de o paÃs já ter realizado várias eleições desde 13 de janeiro de 1991, que decorreram de forma tranquila e com aumento da participação cÃvica, mas também de ter uma comunicação social independente. Â
“É claro que não há democracias perfeitas, nós não somos uma democracia acabada, em nenhum paÃs existe isto, temos ameaças, riscos que acontecem hoje no mundo atual, mas temos a consistência de que o cabo-verdiano agarrou a democracia como algo importante, um ativo fundamental para o desenvolvimento e é só aperfeiçoar, cuidar e aprimorar para sermos cada vez mais uma democracia de referência para nós mesmos cabo-verdianos e para o mundo”, reforçou.
Esta é a quinta vez que a sessão solene comemorativa do Dia da Liberdade e da Democracia é realizada em Cabo Verde e a segunda em contexto de covid-19, com o primeiro-ministro a reconhecer que a pandemia “condiciona muito”.
Mas salientou que, apesar de alguns paÃses terem endurecido os seus sistemas de poder, Cabo Verde realizou três eleições (autárquicas, legislativas e presidenciais) em situações de condicionamento e reforçou a sua democracia.
E por causa da pandemia, o salão nobre da Assembleia Nacional, na Praia, com capacidade para 500 pessoas, só recebeu 150, enquanto vários deputados assistiram pelas plataformas digitais.
A sessão solene, dia feriado em Cabo Verde, contou pela primeira vez com intervenções oficiais do Presidente da República, José Maria Neves, e do presidente da Assembleia Nacional, Austelino Correia, além dos representantes dos três partidos com assento no parlamento (MpD, PAICV e UCID).
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