
Cartum, 02 jan 2022 (Lusa) — O primeiro-ministro do Sudão, Abdullah Hamdok, anunciou hoje através da televisão a sua demissão, 42 dias depois de ter alcançado um acordo com os militares para regressar ao cargo, do qual foi deposto em outubro último.
A renúncia de Hamdok surge no mesmo dia em que o paÃs testemunhou uma nova jornada de manifestações contra o golpe de Estado de 25 de outubro e contra o acordo com o lÃder da junta militar, Abdel-Fattah al-Burhan.
Pelo menos três manifestantes foram mortos durante as manifestações de hoje, segundo o Comité dos Médicos do Sudão, um sindicato da oposição, tendo o total de vÃtimas mortais relacionadas com os protestos contra o golpe subido para 57.
Na sua comunicação, Hamdock declarou ter feito tudo o que foi possÃvel para evitar a tal situação no paÃs.
“Fiz tudo o que foi possÃvel para evitar que o paÃs deslizasse para o desastre quando atravessa uma perigosa viragem que ameaça a sua sobrevivência (…) face à fragmentação das forças polÃticas e aos conflitos entre os componentes (civil e militar) da transição (…). Apesar de tudo o que foi feito para se chegar a um consenso (…) isso não aconteceu”, afirmou.
O Sindicato dos Médicos do Sudão, que fornece o registo das vÃtimas mortais e feridos durante os protestos, anunciou através das redes sociais que pelo menos três manifestantes morreram durante as marchas que decorreram na capital do paÃs, Cartum, e na cidade adjacente de Um Durman.
O balanço inicial dos protestos, também fornecido pela mesma fonte, dava conta de dois mortos.
Os protestos intensificaram-se neste paÃs africano desde que o lÃder militar sudanês, o general Abdel-Fattah al-Burhan, e o primeiro-ministro Abdullah Hamdok, destituÃdo no golpe de Estado de outubro, chegaram a um acordo, em finais de novembro, para repor o último em funções e estabelecer um novo roteiro para as eleições no paÃs, previstas para 2023.
Milhares de pessoas saÃram hoje para as ruas de Cartum e de outras cidades do paÃs, num novo dia de protestos convocados pelos chamados comités de resistência.
Os manifestantes, agitando bandeiras, expressaram a sua rejeição do acordo polÃtico alcançado entre Abdel-Fattah al-Burhan e Abdullah Hamdok, gritando frases de ordem a favor de um Estado civil, de acordo com os relatos da agência noticiosa oficial sudanesa, SUNA.
Antes do inÃcio das manifestações, as autoridades sudanesas fecharam todas as vias e pontes que garantem os acessos a Cartum, exceto duas, enquanto os serviços telefónicos e de Internet foram cortados, medida frequente durante os dias de protestos.
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