
Lisboa, 17 dez 2021 (Lusa) – O Governo autorizou a abertura de 731 vagas para médicos especialistas no Serviço Nacional de Saúde no segundo concurso da época de 2021, a maioria na área hospitalar.
Segundo informou o Ministério da Saúde, do total, 473 postos de trabalho são na área hospitalar, 235 na da Medicina Geral e Familiar e 23 na área de saúde pública.
“O número de postos de trabalho disponibilizados neste concurso, que representa um acréscimo de mais de 200 vagas face à s vagas na época especial do ano passado (462), procura corresponder à s necessidades reportadas pelos estabelecimentos e serviços de saúde que integram o Serviço Nacional de Saúde, com enfoque naqueles que se debatem com maior carência de pessoal médico”, refere o Ministério da Saúde, em comunicado.
Dos 473 postos para reforço dos serviços hospitalares, Medicina Interna (61), Ginecologia/ObstetrÃcia (39), Pediatra (39) e Psiquiatria (35) destacam-se como as especialidades com mais vagas.
Das 235 vagas para especialistas de Medicina Geral e Familiar, 98 situam-se na Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte, 66 na ARS de Lisboa e Vale do Tejo, 45 na ARS do Centro, 16 na ARS do Alentejo e 10 na ARS do Algarve.
“O número de postos de trabalho a disponibilizar neste procedimento é substancial e intencionalmente superior ao número de médicos recém-especialistas, permitindo a contratação, a tÃtulo definitivo, de médicos que, a tÃtulo de exemplo, asseguram funções em regime de prestação de serviços, possibilitando, como pretende o Governo, a sua integração nos mapas de pessoal das entidades e, desse modo, a estabilização das equipas de saúde”, acrescenta a tutela.
O concurso de primeira época para médicos recém-especialistas teve um total de 1.532 vagas, a maioria (1.041) para especialidades hospitalares, 459 para Medicina Geral e Familiar e 32 para Saúde Pública.
A informação sobre as vagas autorizadas para médicos especialistas no segundo concurso deste ano surge na mesma semana em que se soube que ficaram por preencher 50 vagas no concurso para o internato médico que terminou no inÃcio do mês, com os sindicatos a manifestarem a sua preocupação e a sublinharem a falta de atratividade do SNS.
Segundo dados da Administração Central dos Serviços de Saúde, estas 50 vagas estão distribuÃdas pelas especialidades de estomatologia, imuno-hemoterapia, medicina geral e familiar, medicina interna, patologia clÃnica e saúde pública.
Num comunicado divulgado no mesmo dia, a Federação Nacional dos Médicos (FNAM) considerou a situação “extremamente preocupante”, sublinhando que esta foi a primeira vez que tal aconteceu desde que há mais candidatos que vagas disponÃveis no processo de escolha de especialidade.
Ao problema do contingente de médicos sem formação especializada – sublinha — “acresce agora o problema destes médicos, que optam por não continuar a sua formação especializada no Serviço Nacional de Saúde (SNS), apesar de existirem capacidades formativas”.
A FNAM diz que uma das principais razões para esta situação é a “falta de condições de trabalho, transversal a todo o SNS”, que se reflete “na formação especÃfica dos médicos”.
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