
Seixal, 02 dez 2021 (Lusa) — A adesão à greve dos trabalhadores da Amarsul — Valorização e Tratamento de ResÃduos Sólidos foi hoje de 75% nos ecoparques do Seixal e Palmela, segundo fonte sindical, mas a empresa garante que não superou os 35% no primeiro turno.
Hoje é o quarto dia de greve dos trabalhadores da Amarsul, que presta serviços em municÃpios da PenÃnsula de Setúbal, pelo aumento geral dos salários, bem como dos subsÃdios de refeição e de transporte em vigor na empresa.
A greve foi decretada pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local e Regional, Empresas Públicas, Concessionarias e Afins e pelo Site-Sul — Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Sul.
Ana Lúcia, delegada sindical do Site-Sul — Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Sul, explicou em declarações à agência Lusa que, no Seixal e em Palmela, a adesão é na ordem dos 75%.
A delegada sindical adianta que as viaturas das autarquias que se têm deslocado ao ecoparque do Seixal estão a ser escoltadas pela polÃcia.
No ecoparque de Setúbal, assegura, a adesão é na ordem dos 100%.
A empresa Amarsul, por seu turno, referiu em comunicado enviado à agência Lusa que a adesão à greve foi de cerca 51% nos dois primeiros dias de greve e que hoje o valor é de 35%, indicando que são dados preliminares referentes ao perÃodo da manhã.
“As viaturas municipais que se dirigiram hoje de manhã à s instalações da Amarsul tiveram as portas abertas e estão a entrar, de forma ordeira e pacÃfica, para descarregar os resÃduos urbanos recolhidos”, explica a empresa.
No feriado, adianta a empresa, registou-se uma adesão de 86%, estando menos pessoas a trabalhar nesse dia.
Na quarta-feira, feriado nacional, segundo os sindicatos, os trabalhadores que asseguraram o piquete de greve nos ecoparques de Palmela e do Seixal “foram surpreendidos por uma intervenção inapropriada e inusitada das autoridades policiais”.
Segundo a Amarsul, desde o inÃcio da greve já foram registadas 138 entradas de viaturas municipais de recolha de resÃduos, provenientes dos municÃpios de Alcochete, Almada, Barreiro, Palmela, Moita, Montijo, Sesimbra e Setúbal.
Estas entradas representam 18% das entregas de resÃduos urbanos, em comparação com a semana anterior.
Os serviços mÃnimos, adianta a empresa, já estão a ser assegurados porque foi garantida a abertura da entrada para a passagem das viaturas.
“Os serviços mÃnimos decretados não estão relacionados com o número de descargas, mas sim com o número de pessoas a trabalhar, e que estão definidos como 20 trabalhadores operacionais nas áreas crÃticas”, explica.
A Amarsul refere ainda que mantém o acompanhamento desta situação, considerando o estado de calamidade em vigor e a necessidade de manter o serviço público essencial que assume particular importância no contexto de pandemia.
A empresa é responsável pelo tratamento e valorização dos resÃduos urbanos dos nove municÃpios da PenÃnsula de Setúbal (Alcochete, Almada, Barreiro, Moita, Montijo, Palmela, Seixal, Sesimbra e Setúbal).
Em julho de 2015, a Amarsul passou a integrar o grupo Mota Engil por via da aquisição da Empresa Geral de Fomento (EGF), detentora de 51% do capital social da Amarsul.
Face à greve, as autarquias têm emitido comunicados às populações.
A Câmara Municipal do Seixal mostrou-se contra o “deficiente funcionamento” da Amarsul e a gestão da recolha de resÃduos, degradada pela falta de investimento.
A autarquia de Almada emitiu hoje um comunicado a indicar que se preveem atrasos significativos nas recolhas dos ecopontos efetuadas pela Amarsul, podendo ainda registar-se constrangimentos na entrada em aterro para descarregar as suas viaturas de recolha.
O municÃpio da Moita também alerta para os condicionalismos na recolha de resÃduos urbanos devido aos constrangimentos na entrada em aterro para descarregar as viaturas de recolha, apelando por isso à compreensão da população.
Em Alcochete, a autarquia refere que na quarta-feira não foram cumpridos os serviços mÃnimos no aterro sanitário onde as viaturas do municÃpio vão depositar os resÃduos recolhidos dos contentores (Palmela), colocando em causa o bem-estar das populações.
Segundo a autarquia, os serviços camarários têm estado impedidos de descarregar os seus veÃculos, pelo que a situação tem-se agudizado no espaço público dos nove concelhos da PenÃnsula de Setúbal.
Em Sesimbra, a autarquia apelou a todos os munÃcipes e empresários para que, até ao final da greve, na sexta-feira, limitem ao essencial a produção de resÃduos.
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