
Banguecoque, 02 dez 2021 (Lusa) – O massacre de 65 manifestantes birmaneses em Rangum no passado dia 14 de março foi “planeado e premeditado”, acusou hoje a organização Human Rights Watch, pedindo para que os responsáveis sejam julgados.
Num relatório hoje divulgado, a Human Rights Watch (HRW), organização de defesa dos direitos humanos com sede nos Estados Unidos, disse que as forças de segurança de Myanmar cercaram a manifestação do dia 14 de março, tendo usado meios letais contra o protesto que se desenrolava contra o golpe de Estado militar.
“Os soldados e a polÃcia armados com espingardas de assalto dispararam contra os manifestantes e contra todos os que tentavam acudir aos feridos, tendo morrido 65 pessoas”, referiu a HRW.
Os militares, que impuseram a Lei Marcial após os atos de violência de 14 de março, descreveram na altura os manifestantes como “arruaceiros” que provocaram incêndios e impediram o trabalho dos bombeiros.
A HRW assinala que não ocorreu nenhuma ação por parte dos manifestantes contra as forças de segurança.
Até ao momento, os militares no poder em Myanmar (antiga Birmânia) ainda não responderam à acusação da Human Rights Watch.
A investigadora Manny Maung, da HRW, disse à Associated Press que as forças de segurança cometeram atos que “constituem crimes contra a humanidade”.
“Em última instância, a responsabilidade reside na estrutura de comando”, acrescentou, sublinhando que o relatório foi elaborado com base em seis entrevistas e na análise de 13 vÃdeos e 31 fotografias que foram divulgados na altura nas redes sociais.
Um dos vÃdeos foi registado por um elemento da própria polÃcia, que divulgou através da plataforma digital Tik Tok o avanço das forças contra os manifestantes.
Desde o golpe de Estado militar de 01 de fevereiro mais de 1.300 manifestantes foram mortos pelas autoridades durante protestos, de acordo com a Associação de Apoio a Presos PolÃticos.
Por outro lado, deputados dos paÃses da ASEAN (Associação dos PaÃses do Sudeste Asiático) disseram hoje que aumentou a pressão sobre a oposição e que, pelo menos, 90 deputados birmaneses encontram-se presos ou sob regime de prisão domiciliária.
De acordo com um relatório apresentado pelo grupo de defesa de direitos humanos constituÃdo por deputados dos paÃses da ASEAN, “muitos outros” polÃticos e parlamentares birmaneses fugiram.
“Estou a falar de um local afastado da minha casa (…) Tive de fugir para a selva para sobreviver. Os ‘drones’ (aparelhos voadores não tripulados) do Exército estão sempre a sobrevoar a selva. Tenho de mudar constantemente de local para não ser localizada”, disse a deputada birmanesa Myat Thida Htun, de forma virtual, durante a apresentação do relatório do grupo da ASEAN.
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