
Cabul, 17 nov 2021 (Lusa) – O governo do Emirato Islâmico do Afeganistão pediu hoje ao Congresso dos Estados Unidos o fim das sanções e o “retomar” do fluxo de ajudas e ativos dos bancos afegãos para combater a crise no paÃs.Â
“Solicito ao Governo dos Estados Unidos que tome medidas responsáveis sobre a crise humanitária e económica que está a crescer no Afeganistão”, refere o ministro dos Negócios Estrangeiros talibã, Amir Khan Muttaqi, numa carta aberta dirigida à Administração norte-americana. Â
Também com o objetivo de que se “abram as portas para relações futuras”, Muttaqi pede que “se descongelem os ativos do Banco Central do Afeganistão e que se levantem as sanções” aos bancos do paÃs. Â
No texto, Muttaqi sublinha as “contradições” de Washington que por um lado, afirma, assinou em fevereiro de 2020 um acordo com os talibãs sobre a retirada das tropas dos Estados Unidos, mas que, por outro lado, impôs sanções depois do movimento extremista ter tomado a cidade de Cabul, no passado dia 15 de agosto.Â
“É surpreendente que com o anúncio do novo Governo (o autoproclamado Emirado Islâmico) os Estados Unidos tenham imposto sanções aos ativos do nosso Banco Central. Isto vai contra as nossas expectativas e contra o acordo de Doha”, acrescenta o ministro talibã.Â
Para Muttaqui, a situação relativa à “segurança financeira” prejudica o futuro das “relações bilaterais” e afeta a “assistência humanitária” num paÃs “atingido por duas décadas de guerra, pandemia (covid-19) e pobreza”.
O ministro do autoproclamado Emirado Islâmico cita os relatórios das Nações Unidas e de outras organizações humanitárias que concluÃram que “se estas condições persistirem os afegãos vão ter de enfrentar uma situação muito grave durante o inverno”.
“O sofrimento de uma criança por causa da fome, a morte de uma mãe por falta de serviços de saúde (…) não têm justificações polÃticas e são prejudiciais para o Governo e o povo dos Estados Unidos, porque se trata de uma questão puramente humanitária”, conclui.
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