Parlamento Europeu deverá realizar mais visitas oficiais a Taiwan

Taipé, 05 nov 2021 (Lusa) – O chefe da delegação de eurodeputados que visitou Taiwan, Raphael Glucksmann, disse hoje que a deslocação “é apenas um primeiro passo, porque vão realizar-se outras”, frisando que o Parlamento Europeu deve “incrementar as ligações” com Taipé. 

“Há um consenso no Parlamento Europeu referido no último relatório sobre as Relações Políticas e a Cooperação entre Taiwan e a União Europeia em que se descreve Taiwan como um parceiro e um aliado democrático”, disse Glucksmann (grupo Socialistas e Democratas) numa conferência de imprensa realizada por meios remotos.  

“Estamos convencidos de que o reforço das relações com Taiwan vai fazer com que a situação no estreito (da Formosa) venha a ser menos perigosa. Isto deve ser o normal porque não podem agravar-se os conflitos com Pequim sempre que interagimos com Taiwan”, disse o eurodeputado francês sobre a visita dos sete eurodeputados a Taipé.

A China pediu na quinta-feira à UE que evite “enviar sinais errados aos separatistas taiwaneses”, na sequência da visita daquela delegação, que considerou suscetível de “prejudicar as relações” entre Bruxelas e Pequim.

“Os eurodeputados devem estar plenamente cientes da complexidade e sensibilidade da questão taiwanesa, que é essencial para um bom desenvolvimento das relações China -UE”, disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros Wang Wenbin, numa conferência de imprensa.

“Nós não queremos provocar ninguém e visitar Taiwan não deveria ser motivo de provocação”, disse hoje Glucksmann, acrescentando que “como democratas” os eurodeputados não podem ter “medo” de sanções de Pequim.

Glucksmann é um dos eurodeputados que foram alvo de sanções de Pequim no passado mês de março, uma resposta às sanções impostas pela União Europeia a funcionários chineses pelas violações contra os direitos humanos na província de Xinjiang.

Glucksmann reafirmou que o objetivo da visita é enviar a mensagem de que Taiwan não está só e que a Europa está ao lado de Taipé, tal como já tinha afirmado durante o encontro com a chefe de Estado, Tsai Ing-wen, na quinta-feira.

A República Popular da China reclama a soberania de Taiwan desde o final da guerra civil, em 1949, altura em que as forças nacionalistas (Kuomintang) de Chiang Kai-shek, derrotadas pelos comunistas, se estabeleceram na ilha.

 

PSP (JPI) // PAL

Lusa/fim

 

 

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