
BrasÃlia, 03 nov 2021 (Lusa) – O Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, criticou hoje a ativista indÃgena Txai SuruÃ, que discursou na 26.ª Cimeira das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP26), em Glasgow, na Escócia, acusando-a de “atacar o Brasil”.
O chefe de Estado criticou o facto de ser uma brasileira a criticar o próprio Brasil, algo que, segundo o referiu, não acontece com outros paÃses.
“Estão reclamando que eu não fui para Glasgow. Levaram uma Ãndia para lá, para substituir o Raoni [um dos principais lÃderes indÃgenas brasileiros], para atacar o Brasil. Alguém viu algum alemão atacando a energia fóssil da Alemanha? Alguém já viu (alguém) atacando a França porque lá a legislação ambiental não é nada perto da nossa? Ninguém critica o próprio paÃs. Alguém já viu o americano criticando as queimadas no estado da Califórnia? É só aqui”, disse Bolsonaro a apoiantes, em BrasÃlia.
A jovem indÃgena, de 24 anos, participou na segunda-feira na abertura da COP26, em representação das comunidades indÃgenas do Brasil, ao contrário de Jair Bolsonaro, que foi um dos grandes ausentes da cimeira.
Estudante de direito e jovem ativista do estado de Rondônia, a jovem falou na COP26 sobre os desafios enfrentados pelas comunidades indÃgenas brasileiras devido à desflorestação descontrolada e à s consequências das alterações climáticas.
Na cimeira, Txai SuruÃ, fundadora do Movimento da Juventude IndÃgena em Rondônia, criticou “mentiras vazias e promessas falsas” e advogou que os povos indÃgenas precisam de participar das decisões sobre as alterações climáticas.
“Tenho apenas 24 anos, mas meu povo vive na Floresta Amazónica há pelo menos seis mil anos. Meu pai, o grande chefe Almir SuruÃ, me contou que devemos ouvir as estrelas, a lua, o vento, os animais e as árvores. Hoje, o clima está esquentando, os animais estão desaparecendo, os rios estão morrendo e as nossas plantações não florescem como no passado. A Terra está falando: ela nos diz que não temos mais tempo”, disse, citada pelo jornal O Globo.
Os indÃgenas SuruÃs ou Paiter-SuruÃs vivem na região de fronteira entre os estados de Rondônia e Mato Grosso. Antes do contacto com a civilização branca, o grupo étnico tinha cerca de 5.000 membros, mas agora não chegam a 1.000.
MYMM // LFS
Lusa/Fim



