
BrasÃlia, 03 nov 2021 (Lusa) – A crise hÃdrica no Brasil, que faz subir o custo da eletricidade, causará perdas de 8,2 mil milhões de reais no Produto Interno Bruto (PIB) em 2021, uma queda de 0,11%, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Estimativas divulgadas pelo sindicato patronal que reúne as maiores indústrias do paÃs destacam que as perdas, na ordem dos 1,2 mil milhões de euros, ocorrem devido à subida de preços da energia elétrica, desencadeada pela falta de chuvas no paÃs.
O alto custo da eletricidade também vai reduzir o consumo das famÃlias brasileiras neste ano em sete mil milhões de reais (cerca de mil milhões de euros).
Alem disto, as exportações devem cair 0,23% e haverá perdas de 166 mil empregos, segundo o mesmo estudo da CNI.
As expectativas indicam que o PIB industrial, que inclui as indústrias extrativa e de transformação, serviços industriais de utilidade pública e construção, deve cair 0,17% para 2,2 mil milhões de reais (cerca de 340 milhões de euros) face ao que seria alcançado no Brasil sem o aumento do custo da energia elétrica.
O próprio setor elétrico será bastante afetado, pois ao criar um custo extra pelo serviço para que as pessoas consumam menos energia, a procura dos consumidores tende a ser reduzida.
Após a retração económica de 4,1% em 2020 sofrida pelo Brasil com a pandemia de covid-19, as projeções do Governo, do mercado e do Banco Central apontam para um crescimento próximo a 5% em 2021, estimativa que poderia ser maior se o paÃs não tivesse sofrido com a seca, que levará cerca de um décimo do potencial de expansão do PIB, segundo o estudo da confederação da indústria.
Entre setembro de 2020 e abril de 2021, o Brasil teve o pior perÃodo de chuvas dos últimos 91 anos, que limitou a produção de energia hidroelétrica e obrigou à utilização de termoeléctricas cujos custos são maiores.
A subida dos preços cobrados pela energia já começa a fazer-se sentir nas empresas, onde os custos de produção têm subido à medida que elas necessitam de energia adicional para manter a sua atividade.
As perspetivas também não são otimistas para 2022, ano em que a crise hÃdrica aprofundará as dificuldades já previstas pelos economistas, o que pode mergulhar o paÃs numa nova recessão causada pelo aumento da inflação, subida do desemprego, receios de que Governo abandone a austeridade fiscal e incertezas geradas pelas eleições presidenciais.
Segundo o estudo da CNI, estima-se que até 2022 as perdas do PIB do Brasil com a crise hÃdrica saltarão para 14,2 mil milhões de reais (2,2 mil milhões de euros), o que representa uma queda de 0,19% do PIB.
Da mesma forma, prevê-se a perda de cerca de 290 mil postos de trabalho no próximo ano face ao número de pessoas ocupadas entre abril e junho de 2021.
Já o consumo das famÃlias deve cair 0,26% enquanto as exportações tendem a ser reduzidas em 0,41% . A CNI estima que o PIB industrial diminuará 0,29% em 2022 no paÃs sul-americano.
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