
Lisboa, 26 out 2021 (Lusa) — Um grupo internacional de investigadores no qual estiveram envolvidos especialistas da Fundação Champalimaud descobriu um marcador biológico com potencial para dar prognóstico da gravidade da covid-19, com a deteção do marcador a resultar de um teste PCR.
Em entrevista à Lusa, o investigador principal Eduardo Moreno explicou que o prognóstico decorre da presença de um tipo de proteÃnas presente nas células dos seres humanos, designadas por ‘proteÃnas flower’, um sistema descoberto pela primeira vez há cerca de cinco anos e cuja potencial importância se reconheceu também agora para a infeção provocada pelo vÃrus SARS-CoV-2.
“É um sistema em que as células comunicam entre si. São as ‘proteÃnas flower’ que as células usam para comunicar com as células vizinhas e estas eliminam a célula danificada. É como um controlo de qualidade do organismo. Quando o corpo é jovem, tem-se normalmente muitas células boas; quando o corpo é mais velho, este sistema de controlo de qualidade já funciona pior e o número de células danificadas vai-se acumulando”, afirma, para explicar a habitual correlação do agravamento da doença em pessoas mais idosas.
De acordo com o geneticista espanhol, há quatro proteÃnas flower nos humanos, divididas em duas categorias: proteÃnas ‘lose’, presentes nas células danificadas, e proteÃnas ‘win’, encontradas nas células boas.
“O que pretendemos é que seja usado como marcador biológico e poderá usar-se num futuro próximo”, refere, confirmando que a deteção destas células pode ser extraÃda de amostras pulmonares e nasofarÃngeas, utilizando o teste PCR para analisar os nÃveis de proteÃnas ‘lose’. Se o indivÃduo tiver um número elevado deste tipo de proteÃnas, a sua doença pode ser alvo desde o inÃcio de uma monitorização mais apertada ou de outro tipo de intervenção precoce.
A investigação, que contou com a participação de cientistas de Dinamarca, Suécia, Estados Unidos, Austrália e Alemanha, sublinha que o potencial deste tipo de proteÃnas vai além da covid-19 e que pode servir ainda de marcador para outros tipos de doenças.
“Pode ser importante não só para a covid-19, mas também para outras doenças. Não é especÃfico da covid-19. Uma pessoa que se sente mal pode ter um alto número de proteÃnas ‘lose'”, reforça, explicando que este tipo de análise é local, faltando desenvolver mais trabalho e outros tipos de testes para perceber a possÃvel deteção mais generalizada das proteÃnas ‘flower’ no organismo e não somente num órgão, como no caso dos pulmões para a covid-19.
Paralelamente, Eduardo Moreno garante que o potencial destas proteÃnas ‘flower’ como marcador biológico para a gravidade de diferentes patologias já atraiu “muito interesse de companhias farmacêuticas” atentas à possibilidade de ser desenvolvido um método de ‘rejuvenescimento’ artificial das células através da introdução de proteÃnas ‘win’ no organismo.
Os resultados do estudo conduzido por este grupo de investigadores foram publicados recentemente na revista EMBO Molecular Medicine.
A covid-19 provocou pelo menos 4.945.746 mortes em todo o mundo, entre mais de 243,56 milhões infeções pelo novo coronavÃrus registadas desde o inÃcio da pandemia, segundo o mais recente balanço da agência France-Presse.
Em Portugal, desde março de 2020, morreram 18.138 pessoas e foram contabilizados 1.085.451 casos de infeção, segundo dados da Direção-Geral da Saúde.
A doença respiratória é provocada pelo coronavÃrus SARS-CoV-2, detetado no final de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China, e atualmente com variantes identificadas em vários paÃses.
JYGO // ZO
Lusa/Fim



