
Nações Unidas, Nova Iorque, 25 out 2021 (Lusa) — O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) condenou hoje o “golpe militar em curso” no Sudão e apelou à libertação “imediata” do primeiro-ministro, Abdallah Hamdok, detido esta manhã pelos militares e que se encontra em paradeiro desconhecido.
“É preciso garantir o total respeito pela carta constitucional para que a transição polÃtica, duramente conquistada, seja protegida”, afirmou António Guterres através da rede social Twitter.
A carta constitucional foi assinada em agosto de 2019 pelos militares e civis sudaneses, em que se comprometem a partilhar o poder no seio de um Conselho Soberano durante o perÃodo de transição, iniciado com a queda do ditador Omar al-Bashir, em abril do mesmo ano.
O presidente do Conselho Soberano sudanês, o mais alto órgão de poder no processo de transição do Sudão, general Abdel-Fattah al-Burhan, dissolveu hoje o Governo e o próprio conselho, horas depois de os militares prenderem o primeiro-ministro.
Al-Burhan leu uma declaração na televisão estatal sudanesa, na qual anunciou a instauração de um estado de emergência em todo o paÃs entre um conjunto de nove pontos, que incluÃram a dissolução do Governo e do Conselho Soberano, assim como a suspensão de vários artigos do documento constitucional que lançou as bases para a transição após o derrube de Omar al-Bashir em abril de 2019.
A União Europeia também se manifestou “muito preocupada” com as notÃcias de um golpe de Estado no Sudão e apelou à “rápida libertação” dos dirigentes civis do Governo, assim como ao restabelecimento “urgente” das comunicações no paÃs.
A União Africana (UA) apelou à “retoma imediata” do diálogo no Sudão, pela voz do presidente do órgão executivo da organização, Moussa Faki Mahamat, que disse ter tomado “conhecimento com profunda consternação dos graves desenvolvimentos” no paÃs.
Estados Unidos da América, Alemanha e França, entre outros paÃses, condenaram igualmente o golpe de Estado e apelaram à libertação dos dirigentes civis sudaneses.
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