
Bissau, 03 set 2021 (Lusa) — O porta-voz do Governo guineense, Fernando Vaz, confirmou hoje que foi o executivo quem sugeriu à União Africana (UA) que se afastasse o ex-primeiro-ministro Domingos Simões Pereira da chefia da missão de observação eleitoral em São Tomé e PrÃncipe.
Em conferência de imprensa, Fernando Vaz, que é também ministro do Turismo, disse que o Governo guineense não poderia aceitar que “um antidemocrata” liderasse uma missão eleitoral “num paÃs irmão” e “em nome da Guiné-Bissau”.
Na quarta-feira, através de uma nota enviada à Lusa, Domingos Simões Pereira denunciou que a União Africana tinha voltado atrás com a proposta para que chefiasse uma missão de observação à segunda volta de eleições presidenciais em São Tomé e PrÃncipe.
De acordo com o ex-primeiro-ministro e ex-candidato à presidência da Guiné-Bissau, a mudança ocorreu devido à exigência das autoridades de Bissau.
O porta-voz do Governo guineense confirmou o facto e justificou que Domingos Simões Pereira “não reúne as condições” para liderar missões eleitorais “em nome da Guiné-Bissau”.
“Não reúne as condições mÃnimas de credibilidade para chefiar uma missão eleitoral num contexto de descenso como é o atual processo eleitoral em São Tomé e PrÃncipe. Domingos Simões Pereira é um indivÃduo que nos últimos oito anos vem desestabilizando o paÃs, incentivando as Forças Armadas a derrubarem as autoridades civis, através de reuniões com militares nas matas e lugares recônditos”, afirmou Fernando Vaz.
O porta-voz do Governo guineense disse ainda que ao ser consultado pela União Africana quanto ao nome de Simões Pereira, após a indisponibilidade de outras figuras polÃticas do paÃs, informaram a organização africana que aquele “não reúne as condições”.
“Consultada pela União Africana e conhecedora da experiência antidemocrática de Domingos Simões Pereira, com a não-aceitação de resultados eleitorais, entendeu o Governo que não reúne as condições para chefiar esta missão eleitoral”, precisou Fernando Vaz.
O porta-voz do Governo guineense considera estranho que Domingos Simões Pereira “desconheça os procedimentos” de organizações internacionais, que, disse, antes de convidarem uma personalidade perguntam à s autoridades do seu paÃs.
Fernando Vaz não compreende “a reação belicista, musculada e desproporcional” de Domingos Simões Pereira, que considera ainda “um negacionista das regras do jogo democrático”.
São Tomé e PrÃncipe realiza no domingo a segunda volta das eleições presidenciais, disputada entre Carlos Vila Nova, apoiado pela Ação Democrática Independente (ADI, oposição), e Guilherme Posser da Costa, apoiado pelo Movimento de Libertação de São Tomé e PrÃncipe — Partido Social Democrata (MLSTP-PSD) e pela coligação PCD-MDFM-UDD, que suporta o Governo.
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