
Lisboa, 02 set 2021 (Lusa) – O antigo presidente da Assembleia da República Mota Amaral afirmou hoje que Francisco Pinto Balsemão foi vÃtima do “mais intenso e menos fundamentado” ataque ‘ad hominem’ e de “traições mesquinhas” dentro do partido que fundou, o PSD.
A sessão de homenagem ao primeiro executivo liderado por Pinto Balsemão, promovida pelo primeiro-ministro, António Costa, abriu com um discurso de Mota Amaral, fundador do PSD, antigo presidente do Governo Regional dos Açores (1976/1995) e da Assembleia da República (2002/2005).
O antigo deputado elencou as várias dificuldades do VII e VIII Governo Constitucional, como os “ataques extremados” dos adversários polÃticos ou as dificuldades financeiras.
“Mas a maior dificuldade à normal governação vinha de dentro das próprias fileiras da AD e do PSD. Francisco Pinto Balsemão defrontou-se com uma permanente contestação de grupos organizados, comprovadamente minoritários, mas nem por isso desistindo de o desacreditar perante a opinião pública”, criticou.
“Foi, sem dúvida, o mais intenso e menos fundamentado combate ‘ad hominem’ vivido entre nós na vigência da nossa democracia”, acrescentou.
O antigo deputado considerou “admirável” que Balsemão tenha tido capacidade para liderar dois Governos, mesmo quando era “vÃtima de inqualificáveis procedimentos de colaboradores próximos, por ele próprio qualificados como traiçoeiros”.
“Como sempre acontece com polÃticos que o são verdadeiramente, Francisco Pinto Balsemão se retirou da polÃtica, porque os polÃticos nunca se reformam”, considerou, elogiando que tenha alcançado O “merecido estatuto” de senador.
Para Mota Amaral, o homenageado está hoje em condições de “compreender a dimensão trágica da ação polÃtica, os confrontos pessoais, os belos ideais frustrados, os desgostos, as traições mesquinhas”.
“Mas é esta dura carga que tempera a virtude e enriquece a vida de quem à polÃtica com ‘P’ grande se devota. Quem se fica pelos aspetos lúdicos que a ação polÃtica também contém e se limita a contabilizar vitórias não percebe nada disso”, defendeu o antigo presidente do parlamento.
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