
Londres, 27 ago 2021 (Lusa) — O movimento ecologista Extinction Rebellion manifestou-se hoje em Londres para condenar o financiamento das indústrias fósseis pela City londrina, o centro financeiro da cidade, no âmbito de uma semana de ações de protesto na capital britânica.
Várias centenas de pessoas desfilaram pelo bairro do centro de Londres onde se situam os escritórios e as sedes de muitas instituições financeiras de todo o mundo, ao som de percussão.
Os manifestantes brandiam cartazes em que se lia “Não há futuro nos combustÃveis fósseis”, “Fim ao financiamento do caos climático” ou ainda “Nada é impossÃvel”, segundo a agência AFP no local.
O movimento quer “sublinhar a cumplicidade desde há séculos do Reino Unido” com a extração de petróleo e gás, indicou na rede social Twitter.
Alguns manifestantes pararam em frente ao edifÃcio onde ficam os escritórios da empresa de serviços financeiros Maples e aà colaram um poster onde se lia “Maples Group — construÃdo com dinheiro de crimes de sangue” (“Built with blood Money”).
“Aqui, estamos a atacar a Maples, que utiliza paraÃsos fiscais e não paga, portanto, impostos”, acusa uma manifestante, Trina, de 47 anos, acrescentando que “há muitas outras empresas que fazem o mesmo, bancos, seguradoras”.
Antes, participantes no cortejo atiraram tinta vermelha para o edifÃcio do banco Standard Chartered e para o da sede das autoridades da City e protestaram em frente ao Banco de Inglaterra.
A organização para a justiça social Global Justice Now declarou apoiar as intervenções da Extinction Rebellion (Rebelião contra a Extinção, numa tradução livre), assegurando que “é bom ver a Extinction Rebellion a denunciar o papel da City no financiamento do caos climático”.
Num comunicado hoje divulgado, a organização acrescenta que “a ação direta é uma tática polÃtica não-violenta legÃtima e uma resposta modesta à s mortes e à destruição alimentada pela City”.
“Seja financiando combustÃveis fósseis, utilizando regras comerciais para eliminar a proteção ambiental ou exigindo o pagamento de dÃvidas que impedem os paÃses do sul de investir na adaptação à s alterações climáticas, essas empresas e instituições financeiras são uma causa intrÃnseca das mudanças climáticas”, insiste a Global Justice Now.
Na quarta-feira, centenas de pessoas tinham-se manifestado em frente à embaixada do Brasil em Londres, em solidariedade com os milhares de indÃgenas mobilizados naquele paÃs contra a polÃtica do Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, de desflorestação da Amazónia.
O grupo ecologista Extinction Rebellion (XR, na sigla em inglês) deu na segunda-feira em Londres o pontapé de saÃda para duas semanas de manifestações e ações de protesto destinadas a apelar aos Governos para agirem “com urgência” contra as alterações climáticas.
Esta rede de ativistas, formada no Reino Unido em 2018, utiliza regularmente a desobediência civil para denunciar a inação dos Governos em relação às mudanças do clima.
Os gigantes financeiros são regularmente acusados de contribuir para as alterações climáticas através do seu financiamento das indústrias de extração e distribuição de combustÃveis fósseis.
ANC // EL
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