
Moscovo, 10 ago 2021 (Lusa) — O Presidente russo, Vladimir Putin, ordenou hoje um aumento dos meios para combater os incêndios na região siberiana de Yakutia, onde a situação continua a agravar-se após terem ardido 8,68 milhões de hectares de floresta.
“O ministro da Defesa Civil, Emergências e AlÃvio de Catástrofes Naturais, Yevgeny Zinichev, foi instruÃdo para expandir as capacidades de combate a incêndios e intensificar os esforços de combate aéreo” na Sibéria, anunciou o Kremlin num comunicado.
Putin pediu também que os funcionários da região apresentem “propostas sobre medidas adicionais de apoio à s pessoas afetadas” pelos incêndios.
Atualmente, mais de 4.200 bombeiros estão destacados para controlar os incêndios na Sibéria, de acordo com o gabinete local do ministério.
Não foram ainda reveladas as medidas adicionais resultantes das instruções do Presidente ao Governo.
O Serviço Federal de Hidrometeorologia e Monitorização Ambiental russo (Rosguidromet) admitiu hoje que a situação “continua a ser a mais difÃcil”.
Segundo a Agência Federal de Proteção das Florestas, já arderam cerca de 8,68 milhões de hectares de floresta.
A agência espacial norte-americana, NASA, anunciou que o fumo dos incêndios em Yakutia viajou mais de 3.000 quilómetros e chegou ao polo Norte, uma situação que não tinha sido documentada anteriormente.
Segundo a NASA, “fumo espesso dos incêndios florestais cobriu a maior parte da Rússia em 06 de agosto”, uma situação que foi fotografada por satélites.
Durante uma visita a Yakutia no final de julho, os bombeiros e as autoridades locais disseram à AFP que não dispunham de mão-de-obra, equipamento e outros recursos para lidar com a escala dos incêndios.
Os ambientalistas têm questionado a polÃtica de incêndios florestais da Rússia, incluindo um decreto governamental de 2015 que permite à s autoridades locais ignorar os incêndios se o custo da sua extinção exceder os danos estimados.
Embora seja difÃcil ligar qualquer incêndio especÃfico à s alterações climáticas, estes desastres têm-se multiplicado e os cientistas russos consideram que os incêndios atuais são uma consequência do aumento da temperatura global.
Os peritos em clima da ONU divulgaram um relatório, na segunda-feira, em que afirmam que a Humanidade é indiscutivelmente responsável pelas alterações climáticas e não tem outra escolha senão reduzir drasticamente as emissões de gases com efeito de estufa se quiser limitar os danos.
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, considerou que o relatório é um “alerta vermelho para a humanidade”.
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