
Pemba, Moçambique 23 jul 2021 (Lusa) — O bispo António Juliasse Sandramo, administrador da diocese de Pemba, norte de Moçambique, alertou hoje para o perigo de criação de “uma indústria do sofrimento” que “dissipa” a ajuda humanitária, apelando para a canalização da ajuda aos necessitados.
“Quando há situações de sofrimento, pode ser criada uma indústria do sofrimento, que se aproveita do sofrimento do povo”, afirmou Sandramo.
A indústria do sofrimento, prosseguiu, pode ser montada por organizações de apoio humanitário, através da instalação de estruturas de funcionamento pesadas e que pagam salários elevados aos seus trabalhadores.
Estas entidades podem canalizar mais recursos para a sua máquina do que para as populações em situação de necessidade, sustentou aquele bispo.
O administrador da diocese de Pemba avançou que a prioridade deve ser o apoio à s vÃtimas da violência armada em Cabo Delgado, cuja capital é Pemba.
Por outro lado, a disponibilidade de bens para a ajuda humanitária também pode atrair a tentação de desvios, num paÃs com nÃveis de corrupção endémicos, acrescentou.
“Este risco [de desvio de ajuda humanitária] existe, com os nÃveis que nós temos de corrupção em Moçambique, isso nos leva a que o risco se torne maior”, afirmou.
Sandramo assinalou que o paÃs deve trabalhar para que “as ajudas que são anunciadas em nome dos deslocados de Cabo Delgado sejam verdadeiramente orientadas para minorar o sofrimento deste povo e nada mas do que isso”.
Grupos armados aterrorizam a provÃncia de Cabo Delgado desde 2017, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo Estado Islâmico. Há mais de 2.800 mortes, segundo o projeto de registo de conflitos ACLED, e 732.000 deslocados, de acordo com as Nações Unidas.
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