
São João da Madeira, 13 jul 2021 (Lusa) – O presidente do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos, advertiu hoje que a “única reflexão que se impõe” ao partido é ser alternativa ao PS, num discurso em que não se referiu à s crÃticas do eurodeputado Nuno Melo.
Logo no arranque do seu discurso no encerramento das jornadas parlamentares dos centristas, que decorreram na segunda-feira e hoje em São João da Madeira (distrito de Aveiro), Francisco Rodrigues dos Santos considerou que “faz todo o sentido que o partido observe o futuro e coloque a importância na necessidade” de estar “na liderança da oposição do PS”.
O lÃder quer que o CDS “se afirme como uma componente fundamental na alternativa polÃtica em Portugal”, numa altura em que o “pano de fundo” é “um cercear cada vez maior das liberdades por parte do Governo socialista, e em que os seus métodos de governo são cada vez mais totalitários e radicais”.
“Tenho a certeza absoluta que esta é a única reflexão que se impõe a todo o partido, e sobretudo a um instrumento fundamental da ação polÃtica do CDS-PP, como é a nossa bancada parlamentar”, salientou, indicando que esse “é o grande tema” que o levou à s jornadas parlamentares.
“E é para isso que eu convido todos intransigentemente a fazer”, disse.
Apesar de não se ter referido à s crÃticas deixadas na noite passada pelo deputado ao Parlamento Europeu e lÃder da distrital de Braga do CDS, Francisco Rodrigues dos Santos referiu o nome de Nuno Melo quando falou do caso dos dois irmãos de Famalicão, “a terra de Nuno Melo”, que reprovaram o ano na escola por não terem frequentado as aulas de cidadania.
Num longo discurso centrado na crÃtica ao Governo e ao PS, a partir do mote de que “a liberdade está ameaçada”, o lÃder centrista referiu-se individualmente ao trabalho de cada um dos cinco deputados e, no final da sua intervenção, teceu ainda um elogio ao deputado e candidato a presidente da Câmara Municipal de São João da Madeira, João Almeida (que foi também seu opositor na corrida à liderança no último congresso).
Rodrigues dos Santos disse que João Almeida tem pela frente um “desafio difÃcil”, mas considerou que é “a pessoa indicada para liderar o centro direita a uma vitória eleitoral”, garantindo que conta com a direção na campanha para as eleições autárquicas de 26 de setembro.
Quando o presidente do CDS-PP chegou ao hotel e à sala onde decorreram as jornadas, acompanhado de membros da direção, foram notórios alguns momentos de silêncio, e no final do seu discurso, o lÃder apreçou-se a sair, tendo recusado também falar aos jornalistas.
Na segunda-feira, num jantar no âmbito das jornadas em que foi convidado para falar sobre “Os desafios da Oposição”, o eurodeputado centrista acusou a direção do partido de “entrincheiramento” e de “atacar os seus”, e defendeu que o esforço para agregar o partido tem de partir “do topo para a base”.
Nuno Melo falou num “entrincheiramento diretivo” e defendeu que “um partido não pode desvalorizar saÃda de militantes, um partido não pode estar concentrado em ajustes de contas e purgas para dentro tendo a pretensão de ser simultaneamente eficaz para fora”, numa crÃtica à reação do presidente do partido à desfiliação do antigo deputado Francisco Mendes da Silva.
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