
Lisboa, 13 jul 2021 (Lusa) — Sessenta e um municÃpios do continente e regiões autónomas já formalizaram a adesão aos objetivos de desenvolvimento sustentável para 2030 definidos pela ONU, seis meses após o lançamento da plataforma digital ODSlocal, disse à Lusa uma das responsáveis do projeto.
A plataforma digital ODSlocal, que permite aos municÃpios fazerem um mapeamento das boas práticas para cumprir metas de desenvolvimento sustentável para 2030, foi lançada em 11 de novembro do ano passado em Lisboa.
A plataforma visa contribuir para que os municÃpios de todo o paÃs possam concretizar os 17 objetivos de desenvolvimento sustentável definidos pela Organização das Nações Unidas (ONU), incentivar boas práticas e promover a participação cÃvica nas vertentes económica, social e ambiental.
Nessa plataforma, os municÃpios podem introduzir os projetos que estão a ser realizados no terreno, projetos esses a ser realizados por empresas, organizações não-governamentais, associações e pelos próprios municÃpios.
Em declarações hoje à agência Lusa, LuÃsa Schmidt, uma das responsáveis pelo projeto, destacou que o balanço do projeto ODSlocal tem sido muito positivo.
“Este projeto tem criado aquilo que nós mais querÃamos no terreno: a dinâmica à escala local. Já temos 61 municÃpios aderentes, o que é 20% do total do paÃs ao fim de seis meses de atividade. Também temos indicadores que servem para monitorizar as metas e objetivos sustentáveis à escala local”, disse.
De acordo com LuÃsa Schmidt, desde o lançamento da plataforma já foram mapeadas 143 iniciativas desenvolvidas pelas autarquias, que correspondem a boas práticas municipais relacionadas com a implementação da agenda 2030, nomeadamente medidas de apoio a famÃlias desfavorecidas, equidade de género nos órgãos de poder e incentivo a ações de educação para a reflorestação.
Desde novembro, segundo a responsável, a plataforma recebeu 159 projetos que representam contributos locais para o cumprimento dos 17 objetivos de desenvolvimento sustentável.
Erradicação da pobreza, saúde, educação, mobilidade, biodiversidade, voluntariado, economia circular, são alguns dos temas dos projetos apresentados.
“Tivemos também 12.400 visitantes só no portal e 10% destes são estrangeiros. Páginas visitadas foram 56.262”, indicou.
Sobre o futuro, LuÃsa Schmidt adiantou que a expectativa é conseguir mais do que os 20% de municÃpios.
“A nÃvel nacional, concertamos a rede de municÃpios aderentes e reforçámos o nosso trabalho colaborativo com o Instituto Nacional de EstatÃstica e com a Direção Geral do Território, criando novos indicadores e olhando para a metas. A nÃvel internacional, estamos a tentar uma plataforma colaborativa para a comunidade dos paÃses de lÃngua portuguesa. Fizemos agora uma candidatura conjunta com Angola, Cabo Verde e São Tomé, mas ainda não temos resultados”, indicou.
Segundo dados do projeto, ao nÃvel da capacitação dos técnicos das autarquias, foram realizadas 11 sessões dos Laboratórios Dinâmicos para a Sustentabilidade Local, organizadas por grandes áreas geográficas do paÃs, para a promoção da Agenda 2030 à escala local.
O ciclo de sessões decorreu durante um perÃodo de três meses, entre março e maio deste ano, e envolveu cerca de 300 técnicos municipais, tendo estado representados 116 municÃpios (quase 40% do total).
LuÃsa Schmidt adiantou que está a ser preparado o reconhecimento e valorização dos projetos, as boas práticas com o lançamento de um selo municipal ODSlocal (para distinguir o elevado grau de compromisso e desempenho das autarquias em relação à sustentabilidade local), prémios de boas práticas municipais e prémios para os projetos, um objetivo para a segunda metade do ano.
“É muito importante porque é à escala local que se conseguem instalar mais facilmente as mudanças, porque se cria articulação entre poderes e cidadãos de forma mais próxima, melhor entendimento das medidas, identificam-se melhor urgências e lacunas, problemas e soluções porque as autarquias são mais eficientes a chegar à s pessoas e isso vemos nos inquéritos, que as pessoas confiam mais no poder local do que no central”, disse.
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