
Redação, 12 jul 2021 (Lusa) — A Organização Mundial de Saúde (OMS) considerou hoje desnecessária uma terceira dose de reforço da vacina contra a covid-19, que alguns paÃses admitem dar, e criticou também a “ganância” em relação ao processo de vacinação.
Numa conferência de imprensa ‘online’, a partir da sede da organização em Genebra, além de voltarem a condenar a falta de solidariedade mundial na administração das vacinas, vários responsáveis frisaram que não há dados cientÃficos que indiquem ser necessária uma dose de reforço da vacina.
“Não há uma evidência que indique a necessidade de uma (terceira) dose de reforço”, salientou Ann Lindstrand, uma das responsáveis da OMS pela supervisão da vacinação contra o novo coronavÃrus, apelando aos paÃses que o consideram fazer para pensarem numa perspetiva global e entregarem essas doses a paÃses que ainda não começaram a vacinação.
A responsável admitiu que a vacina, como em qualquer outra, pode reduzir os efeitos com o passar do tempo, mas salientou que não há para já dados suficientes que indiquem que esse reforço é necessário.
Soumya Swaminathan, cientista chefe da OMS, alertou que há pessoas a pensar misturar vacinas e disse que há ainda pouca informação sobre os efeitos (só está estudado o uso da vacina AstraZeneca seguida da Pfizer) e que tal pode resultar numa “situação caótica”.
Há quatro paÃses que querem fazer esse reforço e isso exige mais 800 milhões de vacinas, disse a responsável, salientando também que não há evidência cientÃfica de que esse reforço seja necessário.
“Pode ser necessário um reforço, dentro de um ou dois anos, mas a seis meses não temos indicações”, acrescentou a cientista chefe, pedindo aos paÃses para que não se baseiem em declarações das empresas farmacêuticas, que dizem que agora é necessária uma terceira dose de reforço.
Michael Ryan, diretor executivo do Programa de Emergências em Saúde da OMS, também disse que uma terceira dose de reforço da vacina não será agora e criticou aqueles que não querem só a fatia maior de um bolo, mas sim o bolo inteiro.
As vacinas, assinalou, devem ser dadas prioritariamente aos trabalhadores da saúde e às populações mais vulneráveis, porque há uma crise global e é o momento de proteger essas populações mais vulneráveis.
A diferença mundial em termos de vacinação contra a covid-19, com paÃses já a pensar em doses de reforço e com outros onde ainda não chegaram sequer vacinas, levou também o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, a lamentar: “Se a solidariedade não está a funcionar só encontro uma palavra para isso, a ganância”~
O responsável disse ser natural que se sobreponha o interesse individual, mas frisou a necessidade de os paÃses perceberem que as vacinas que partilham também os estão a ajudar, porque só assim se coloca um fim à pandemia.
“Não percebemos porque é que o mundo não está a partilhar as vacinas, porque isso era do interesse de todos”, disse, acrescentando que é “dececionante” o que se assiste, com paÃses a dizerem que querem comprar vacinas, que têm dinheiro, e onde as vacinas não chegam.
Tedros Adhanom Ghebreyesus disse também que os paÃses do G20 (maiores economias do mundo) podiam fazer mais na questão das vacinas e que deviam assumir essa liderança.
E alertou que podem estar enganados os paÃses que já vacinaram a população e se julgam seguros. “Quando acham que está tudo bem ignorar o resto do mundo e o vÃrus continua a circular, isso prolonga a agonia do mundo”, disse, acrescentando que era possÃvel acabar rapidamente com a pandemia de covid-19, porque há ferramentas para tal, assim o mundo fizesse por isso.
A pandemia de covid-19 provocou mais de quatro milhões de mortes em todo o mundo, entre mais de 186 milhões de casos de infeção. Em Portugal morreram 17.164 pessoas e foram registados mais de 909 mil casos de infeção.
FP // HB
Lusa/fim



