
Lisboa, 20 jun 2021 (Lusa) — A Amnistia Internacional organiza hoje uma vigÃlia em Lisboa, à beira Tejo, junto à praça Europa, local simbólico para aludir à s “portas da Europa’, onde pretende chamar a atenção, incluindo do primeiro-ministro, para os problemas de acolhimento dos refugiados.
No Dia Mundial do Refugiado, que hoje se assinala, a vigÃlia que decorre entre as 21:00 e as 22:30, numa iniciativa durante a qual pretende entregar o manifesto ‘Eu Acolho’ com mais de 15 mil assinaturas ao primeiro-ministro, António Costa, convidado a estar presente pela organização, assim como o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, e os vários grupos parlamentares.
O manifesto pede aos lÃderes polÃticos a “criação de rotas legais e seguras, a partilha de responsabilidades no acolhimento entre todos os Estados europeus e o desenvolvimento de mecanismos que garantam um melhor acolhimento e integração dos refugiados”.
“Em Portugal, este manifesto é dirigido a António Costa, primeiro-ministro do paÃs, instando a que sejam tomadas medidas que facilitem a integração e autonomia dos refugiados em território nacional, e que a sua influência seja utilizada para construir este caminho junto da União Europeia (UE), da CPLP e das Nações Unidas”, lê-se num comunicado do organismo.
Na vigÃlia foram também convidados a estar presentes pessoas refugiadas a viver em Portugal, para contarem as suas histórias, e representantes da sociedade civil que trabalham no acolhimento e integração destas pessoas.
“A vigÃlia tem lugar à s portas da Praça da Europa, junto à s águas do rio Tejo, num paralelismo simbólico com as milhares de pessoas refugiadas que permanecem à s portas da Europa, junto ao Mar Mediterrâneo. Outro elemento metafórico nesta praça é a obra de “artivismo” de dois irmãos iranianos, uma bandeira da UE feita em aço e arame farpado, materiais que lembram as barreiras fÃsicas com que os refugiados se deparam quando chegam ao continente europeu, mas que é também um sÃmbolo de esperança para todos aqueles que aqui procuram asilo”, refere a Amnistia Internacional (AI) em comunicado.
A iniciativa pretende alertar para as falhas da Europa em conceder segurança aos refugiados que aà a procuram, sendo “necessário criar mais pontes e derrubar os muros de ódio, preconceito e de obstáculos burocráticos”, defende a AI.
Também hoje, na praça LuÃs de Camões em Lisboa e na avenida dos Aliados no Porto, os coletivos HuBB – Humans Before Borders, HOM – Humanity on the Move, Meeru – Abrir Caminho e Refugees Welcome Porto organizam um memorial para “recordar as milhares de pessoas que morrem a tentar chegar à Europa”.
No memorial, serão lidos os nomes das pessoas que morreram nas fronteiras europeias nos últimos anos, para alertar que “não são apenas um número”.
O memorial, dizem os coletivos, servem não só para recordar mas também incentivar a ação, “condenando as múltiplas violações de direitos humanos nas rotas de migração e nos campos de refugiados europeus e exigindo que a União Europeia crie polÃticas migratórias que assegurem o direito à migração e a proteção da vida humana”.
A propósito dos 20 anos do Dia Mundial do Refugiado, também a Caritas Europa pede aos decisores polÃticos para “repensar a sua indiferença” e para que adotem uma atitude no sentido de proteger, acolher e integrar os refugiados.
O apelo surge numa altura em que a Caritas Europa está a promover o documentário “The Game: Fortaleza da Europa”, produzido em parceria com a emissora nacional da Eslovénia e que denuncia “histórias chocantes e tocantes de pessoas, incluindo famÃlias e crianças, que foram violentamente e repetidamente empurradas pela polÃcia e forças fronteiriças entre a Croácia e a Bósnia e Herzegovina”.
“O filme documenta a violência sistemática e a humilhação para prevenir que se ultrapasse a fronteira, incluindo despir os migrantes, deixando-os nus e abandonados na floresta, agressões e tortura, ataques de cães, destruição e roubo, como por exemplo de telemóveis e dinheiro. Milhares de migrantes em situações desesperantes estão a pernoitar em edifÃcios abandonados, na floresta ou nas ruas da Bósnia e Herzegovina. Arriscam inclusivamente a morte devido a engenhos explosivos, deixados para trás desde o conflito dos anos 90 do qual a Bósnia Herzegovina ainda está a recuperar”, referem em comunicado.
No documento sublinham que a Rota dos Balcãs não é “um caso isolado”.
“Todos os dias, pessoas – incluindo crianças e bebés – morrem em frente aos nossos olhos com relativa indiferença, quando tentam chegar à Europa. Em 2021, já desapareceram mais de 800 pessoas no mar Mediterrâneo, e mais de 10.000 foram intercetadas e devolvidas à LÃbia, onde um terrÃvel sofrimento as aguarda”, lê-se no comunicado que recorda que os paÃses desenvolvidos apenas acolhem 15% dos refugiados em todo o mundo e que delegam essa responsabilidade em paÃses terceiros, apesar de terem uma maior capacidade de acolhimento.
Hoje a Caritas Portuguesa assinala também a chegada ao fim da campanha impulsionada pelo Papa Francisco, “Partilhar a Viagem”, que pretendia aproximar em todo o mundo comunidades locais, migrantes e refugiados.
“Para assinalar o encerramento da campanha, simbolicamente, a Cáritas convida a acender uma vela e deixar uma mensagem de esperança, lembrando que cada pessoa que sai do seu paÃs tem uma motivação que em muitas situações o ultrapassa e que o acolhimento deve ser o primeiro gesto de quem o recebe”, apela a organização em comunicado.
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