
DÃli, 02 jun 2021 (Lusa) – Um estudo, pedido pelo Governo timorense, recomendou que o executivo deve aproveitar a atual “janela de oportunidade” para adotar uma estratégica prática, realista e flexÃvel na agenda de diversificação económica e “criar emprego”.
“Para ter êxito, essa estratégia deve ser centrada num objetivo principal: a criação de emprego decente, que é um motor crÃtico para escapar à fragilidade”, considerou o estudo, apresentado hoje num retiro do Governo e a que Lusa teve acesso.
“A ação do Governo deve também visar garantir benefÃcios rápidos e visÃveis à população de uma forma que crie confiança, criando o espaço para reformas mais amplas. Em última análise, a estratégia deve promover um objetivo comum virado para o futuro, no qual todos na sociedade têm uma participação”, sustentou.
A análise aos “motores de crescimento e transformação setorial” da economia timorense foi preparado por um conjunto de especialistas do International Growth Centre (IGC), instituição resultante da parceria da London School of Economics and Political Science (LSE) e da Universidade de Oxford.
O estudo foi apresentado pelo coordenador residente da ONU em Timor-Leste, Roy Trivedy, aos membros do executivo, durante o retiro do Governo que o primeiro-ministro, Taur Matan Ruak, organizou em DÃli.
“A seleção e a priorização de polÃticas são um elemento essencial para o sucesso da estratégia. Tentar resolver e corrigir todas as questões económicas ao mesmo tempo é irrealista e desperdiçador de recursos”, considerou.
A prioridade deve ser dada à s questões “mais urgentes e implementáveis, que tenham maior probabilidade de produzir efeitos sociais e económicos positivos” e que sejam “financeiramente sustentáveis”.
As medidas devem trazer benefÃcios a curto prazo, mas “sem renunciar a uma visão de longo prazo e a compromisso com uma mudança sustentável”, ao mesmo tempo que criam empregos produtivos no paÃs para superar a “importante fragmentação social e geográfica que caracteriza Timor-Leste”.
Apesar dos desafios, os especialistas consideraram que o acesso ao Fundo PetrolÃfero (FP), uma população jovem e estabilidade polÃtica dão a Timor-Leste uma “janela de oportunidade para desenvolver e implementar uma estratégia de crescimento e desenvolvimento renovada que possa lançar as bases do desenvolvimento a médio e longo prazo para o paÃs”.
Nesse quadro, os autores referiram que a agricultura, as pescas e o turismo são as áreas “com maior potencial para impulsionar a transformação estrutural da economia e para gerar emprego em escala”.
Para concretizar as estratégias “são urgentemente necessários investimentos significativos para crescer e melhorar os setores”, com polÃticas que ajudem a “reduzir a dependência das importações” de produtos hortÃcolas, carne, peixe e laticÃnios, por exemplo, notou.
O estudo defendeu também o desenvolvimento de “cadeias de nicho de valor, produtos e serviços de exportação de alto valor, nomeadamente, café e outras especiarias, produtos artesanais e ecoturismo”.
A análise, concluÃda no inÃcio deste ano, surgiu na sequência do relatório de 2019 de revisão do cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (2011-2030), que notou a falta de um plano para a diversificação económica e a criação sustentada de empregos.
O Governo solicitou ao ICG que fizesse uma análise do tema, reconhecendo desafios como 70% do emprego formal do paÃs ser no setor público, e oportunidades como a existência do FP e a maioria da população do paÃs ser jovem.
Trivedy lembrou que apesar dos lÃderes timorenses concordarem há muito na necessidade de diversificar a economia, “nem sempre houve as ações práticas necessárias para fazer avançar esta agenda”.
O documento traça um conjunto de “ideias práticas” sobre como fazer avançar a diversificação económica no paÃs, disse o responsável da ONU, considerando “vital” ter uma “visão clara sobre o caminho de desenvolvimento”, apoiada por “investimento, tempo, esforço e liderança” adequados.
Se for apoiado por programas claros de formação da força laboral do paÃs, poderá levar a uma economia mais diversificada “dentro de cinco ou dez anos”, disse.
O estudo apontou também “desafios significativos que afastam o paÃs de embarcar numa trajetória de desenvolvimento económico e crescimento sustentável e inclusivo”.
Dependência excessiva da riqueza petrolÃfera para os gastos públicos, reduzidas receitas domésticas não petrolÃferas, setor privado fraco, quadros regulamentares incompletos e grandes lacunas em indicadores socioeconómicos, como nutrição e literacia, são alguns dos problemas apontados, agravados pelo impacto socioeconómico da pandemia da covid-19.
Entre os problemas a corrigir, o estudo referiu a necessidade de promover um melhor espaço para o crescimento de empresas “grandes e modernas”, cabendo ao Governo “remover barreiras fundamentais” ao setor privado.
“As opções polÃticas incluem grandes investimentos nas competências dos trabalhadores através de programas de formação profissional de elevada qualidade ou da criação de uma classe de empreendedores ambiciosos através de exercÃcios de mentoria, entre outros”, referiu.
Ao mesmo tempo, o Governo deve trabalhar para atrair investimento internacional direto em “setores estratégicos” e garantir condições para as empresas estrangeiras se integrem e envolverem com os mercados locais.
Na base da estratégia tem que estar um quadro de financiamento adequado, que identifique recursos necessários e planos de mobilização: FP, receitas internas, financiamento para o desenvolvimento, investimento privado e remessas de emigrantes.
É necessário ter “uma oferta fiável e moderna de infraestruturas”, especialmente projetos que “apoiem o acesso aos mercados, a produtividade e a geração de rendimentos, incluindo mercados agrÃcolas em bom funcionamento, construção rodoviária e manutenção contÃnua, conectividade aérea, fiabilidade elétrica e conectividade de internet de alta velocidade”.
A inovação digital “pode oferecer a oportunidade de saltar etapas tecnológicas, permitindo ao paÃs obter maiores ganhos mais rapidamente”, notou.
Â
ASP // EJ
Lusa/Fim



