
Minsk, 24 mai 2021 (Lusa) — A Força Aérea da Bielorrússia disse hoje que o comandante do voo da Ryanair decidiu aterrar em Minsk “sem interferência”, após ter sido informado de uma ameaça de bomba, rejeitando assim a tese de desvio.
“A decisão foi tomada pelo comandante da tripulação, sem interferência externa”, disse Igor Goloub, comandante da Força Aérea bielorrussa.
A companhia aérea irlandesa Ryanair informou no domingo que a tripulação do avião em que viajava um jornalista crÃtico do regime bielorrusso recebeu um aviso de ameaça à segurança a bordo antes de o aparelho ser desviado para Minsk.
Hoje de manhã, contudo, as autoridades da Bielorrússia tinham assegurado que agiram legalmente ao desviar o avião da Ryanair, rejeitando acusações dos europeus que suspeitam que Minsk tivesse intercetado o avião para deter Roman Protasevich, um opositor bielorrusso que viajava a bordo do aparelho.
O Governo bielorrusso diz agora que foi a própria tripulação do voo que decidiu aterrar em Minsk, após ter sido informada de uma ameaça de bomba, com origem no movimento islâmico Hamas da Palestina.
Segundo Goloub, o piloto poderia ter seguido para a Ucrânia ou para a Polónia, mas decidiu aterrar em Minsk, tendo em conta a ameaça terrorista recebida, mas sempre sem qualquer interferência das autoridades da Bielorrússia, rejeitando assim a tese de desvio para a detenção do opositor do regime.
Também a companhia aérea alemã Lufthansa disse hoje que um seu voo entre Minsk e Frankfurt se atrasou devido a “um alerta de segurança”, antes de descolar da capital da Bielorrússia, após verificações do avião e dos passageiros.
De acordo com a Lufthansa, o avião foi revistado e os passageiros foram submetidos “a uma nova verificação de segurança”.
Na sua conta da rede social Telegram, o aeroporto de Minsk anunciou que foram tomadas “todas as medidas necessárias” para controlar o avião e os seus passageiros, depois de ter explicado que “a informação sobre um ataque terrorista, recebida na caixa de correio do aeroporto, era infundada”.
Entretanto, o Reino Unido pediu às suas companhias aéreas que contornem o espaço aéreo da Bielorrússia e suspendeu a autorização da empresa nacional Belavia.
Após o desvio do avião da Ryanair para Minsk, o ministro dos Transportes britânico, Grant Shapps, disse na sua conta da rede social Twitter que “instruiu” a aviação civil a “pedir à s companhias aéreas que evitem o espaço aéreo bielorrusso, para segurança dos passageiros”.
Na mesma mensagem, o ministro acrescentou que suspendeu a autorização de operações da Belavia, uma empresa bielorrussa.
Em igual sentido, a companhia aérea escandinava SAS anunciou hoje que evitará o espaço aérea bielorrusso, seguindo recomendações da autoridade nacional de transporte aéreo, emitidas esta tarde, que pedem à s empresas suecas que tenham em conta “a situação incerta” que se vive naquela parte do globo.
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