
Lisboa, 14 mai 2021 (Lusa) – Os rendimentos operacionais dos canais TVI caÃram 14% no ano passado, face a 2019, para 113,6 milhões de euros, devido aos “efeitos adversos da pandemia”, nomeadamente no primeiro semestre, divulgou o grupo Media Capital.
“O segmento de televisão viu os seus rendimentos operacionais totais decrescerem 14%, situação maioritariamente justificada pelos efeitos adversos da pandemia, sobretudo durante o primeiro semestre”, refere a Media Capital, em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).
“É de relembrar ainda que, em 2019, a TVI foi lÃder de audiências no total do dia até fevereiro, mantendo a liderança em horário nobre até junho desse ano, sem que em 2020 tenha alcançado a liderança em nenhum dos segmentos, não obstante, no segundo semestre verificou-se uma melhoria homóloga de 10%, decorrente do desempenho da rubrica de publicidade”, adianta o grupo liderado por Mário Ferreira.
Os rendimentos de publicidade do segmento televisão (TVI, TVI24, TVI Ficção e TVI Reality) recuaram 10% em relação ao ano anterior, para 78,9 milhões de euros, “embora no segundo semestre tenha recuperado de forma muito relevante (20%)”.
A Media Capital salienta que esta evolução “reflete a recuperação do investimento publicitário total em televisão, bem como o aumento da quota de audiências da TVI”.
Já os outros rendimentos, que englobam proveitos de cedência de sinal, vendas de conteúdos e serviços multimédia, recuaram 21% para 34,7 milhões de euros, com a Media Capital a justificar com a “quebra dos rendimentos relativos a serviços multimédia, assim como de direitos de sinal, da venda de conteúdos e de outros rendimentos de natureza mais residual”.
O resultado antes de impostos, juros, depreciações e amortizações (EBITDA) dos canais TVI recuou 93% para 3,4 milhões de euros negativos.
Relativamente à Plural, o grupo salienta que “continua a ser um dos principais ‘players’ do setor de produção audiovisual, com uma presença muito relevante também ao nÃvel dos meios de produção e dos cenários”.
Os rendimentos operacionais do segmento de produção audiovisual somaram 28 milhões de euros no ano passado, o que representa uma queda de 15%.
“Importa destacar que a atividade de produção audiovisual, em resultado da pandemia, foi obrigada a efetuar uma paragem total de gravações durante dois meses e meio no decorrer do ano de 2020, o que afetou severamente o comparativo entre anos”, explica a Media Capital, que aponta que “os gastos operacionais ajustados de amortizações, depreciações, gastos com provisões e restruturações e imparidades de ‘goodwill’ ficaram abaixo dos verificados em 2019 em 14%, não só no seguimento da diminuição ocorrida na atividade, mas também em resultado de um esforço de redução de custos operacionais nas ficções realizadas, sem que se tenha prejudicado a qualidade do conteúdo”.
O EBITDA do segmento de produção audiovisual ascendeu a 2,7 milhões de euros negativos no ano passado, uma melhoria face a perdas de cerca de quatro milhões em 2019.
Os rendimentos operacionais do segmento rádio & entretenimento caÃram 33% para 16,2 milhões de euros, com o EBITDA a diminuir 51% para 5,6 milhões de euros.
“Em linha com a evolução do mercado publicitário no segmento de rádios, os rendimentos de publicidade recuaram 28% [para 15 milhões de euros] face a 2019, embora seja de destacar que essa queda foi menos expressiva no segundo semestre (-17%)”, refere o grupo.
Os outros rendimentos operacionais baixaram 64%, para 1,3 milhões de euros, “o que reflete a menor atividade de eventos e de produção de ‘spots’ e, adicionalmente, o efeito extraordinário da alienação de ativos tangÃveis” que teve um impacto de cerca de um milhão de euros em 2019.
A Media Capital reduziu os prejuÃzos para 11,1 milhões de euros no ano passado, “uma notória melhoria” face à s perdas de 54,7 milhões de euros de 2019.
No comunicado de divulgação dos resultados, o grupo salienta que a informação financeira divulgada “não pode, contudo, ser considerada informação definitiva e final porquanto não foi a mesma aprovada pelos competentes órgãos sociais da sociedade, nem se encontram concluÃdos os trabalhos de auditoria pelos auditores”.
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