
Cantanhede, Coimbra, 12 mai 2021 (Lusa) – A vacina portuguesa contra o novo coronavÃrus que está a ser desenvolvida na Immunethep, em Cantanhede, está pronta para entrar na fase de ensaios clÃnicos, aguardando só pelo investimento público necessário, afirmou hoje a farmacêutica.
Após resultados promissores nos ensaios pré-clÃnicos (em animais) anunciados em meados de abril, a Immunethep, sediada em Cantanhede, no distrito de Coimbra, está pronta para entrar em ensaios clÃnicos em Portugal, estando dependente da chegada do apoio público para arrancar essa fase, disse à agência Lusa o diretor executivo da empresa, Bruno Santos.
“Estamos a aguardar o investimento para entrar em ensaios clÃnicos. É isso que falta para dar por arrancada a parte clÃnica”, acrescentou, salientando que a farmacêutica tem tido “algumas conversas com o Governo”, mas ainda sem nada definido.
Segundo Bruno Santos, caso já houvesse a garantia desse investimento, a empresa poderia já estar a iniciar a produção das vacinas em condições para serem usadas na primeira fase dos ensaios clÃnicos.
O responsável realçou que a Immunethep tem também tido reuniões com privados, mas frisou que a maior parte do investimento nestas situações vem “de fontes públicas e os privados complementam esse investimento”.
“GostarÃamos de poder já estar a trabalhar livremente e a pensar nas próximas fases”, referiu.
Além da possibilidade de a vacina ser apoiada através de fundos comunitários, Bruno Santos realçou que se deveria “pensar em formas alternativas de financiamento” para acelerar o processo, nomeadamente através da compra antecipada de vacinas por parte do Governo, tal como foi feito noutros paÃses.
“Seria um adiantamento, mas permitiria podermos avançar já”, acrescentou, explicando que se prevê um gasto de cerca de 20 milhões de euros na fase de ensaios clÃnicos.
De acordo com o diretor executivo da farmacêutica, os ensaios clÃnicos iniciais (onde é testada a segurança da vacina em humanos e os seus primeiros sinais de eficácia) vão decorrer em Portugal.
Numa fase mais alargada de teste em humanos, que envolverá duas mil a cinco mil pessoas, como a maioria dos indivÃduos de risco em Portugal já se encontra vacinada, a Immunethep terá de desenvolver ensaios noutros paÃses, aclarou.
Questionado sobre a possibilidade de levantamento das patentes das vacinas contra a covid-19, Bruno Santos afirmou que esse “é um não assunto”, considerando que o “mais importante é a capacidade de produção”.
“Nas vacinas mRNA [Pfizer e Moderna], mais ninguém para além de quem está a produzir tem conhecimento ou capacidade para as produzir”, notou.
Bruno Santos realçou ainda o facto de a vacina desenvolvida em Cantanhede usar o vÃrus como um todo, o que a torna “mais robusta” perante diferentes variantes do novo coronavÃrus que poderão surgir e que poderão minar a eficácia das vacinas desenvolvidas tendo como foco apenas a proteÃna ‘spike’.
A Immunethep foi fundada em 2014 e dedica-se ao desenvolvimento de imunoterapias, principalmente contra infeções bacterianas multirresistentes.
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